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Terça, 09 de março de 2021
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Coluna

2021 - Resistir para sobreviver

Sem reparação não há justiça social e sem justiça social não há futuro. A desigualdade social é o maior mal a ser vencido.

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Na minha vida vivida vi muitas coisas. Tragédias das mais diversas. Quando em 1992 explodiram a embaixada de  Israel em Buenos Aires, eu estava a uma quadra do local, sinto até hoje o tremor. Lembro do apartamento em que vivia em La Paz e a tensão na  própria pele quando em 1994 aconteceram os terremotos destruindo cidades e ceifando vidas. Lembro também do quanto sofri e que chorei demasiado quando em 1999 aconteceu o maremoto na Venezuela, quando foram mortos aproximadamente 10% do Estado Vargas - La Guaira, onde eu vivia, perdi diversas amigas e amigos.

Nos poucos anos de vida perdi amigas e amigos de diversas formas, alguns pela truculência do Estado e outros pelas injustiças do próprio Estado. Quando o Estado não cumpre com o seu papel de guardador, protetor e servidor, garantindo minimamente os direitos constitucionais para as cidadãs e cidadãos, ele se torna mau, bandido e assassino.

Neste ano o mundo tem vivenciado a maior tragédia dos últimos tempos com a pandemia da covid-19. O presidente atual tem demonstrado a incompetência e ineficácia diariamente do seu governo, não apenas com o discurso negacionista, mas principalmente com práticas que leva o país a tão grande retrocesso, além da culpa de quase 200 mil brasileiros mortos. 

Estou há 20 anos em Foz do Iguaçu, cidade com aproximadamente 260 mil habitantes, e penso: imagine a nossa cidade sendo dizimada? Imagine Foz do Iguaçu desaparecer do mapa? Se o governo atual seguir com suas práticas genocidas, a tendência é aumentar a dor de milhares de famílias.

O desejo pelo poder a todo custo leva a abusos e injustiças. É importante dizer que através da política podemos construir a cidadania, justiça social e a sustentabilidade em todos os aspectos da vida, mas quando aqueles que estão no poder estão mais preocupados com seus projetos pessoais que com a sociedade,preocupados na proteção da sua família corrupta e na manutenção de grupos que querem o lucro, mesmo que para isso fira a dignidade humana das trabalhadoras e trabalhadores, e de religiosos que prostituem a fé em prol de concessões de rádios e TV e a ânsia de poder econômico; como disse anteriormente, essas atitudes fazem o Estado passar a ser instrumento de opressão, marginalização e destruição.

Nos meus anos de vida aprendi que aqueles que dominam a economia com único desejo de lucro, os quais são responsáveis pela desigualdade econômica e social, são difíceis de derrotar, e só com a união de uma sociedade organizada, mobilizada, podemos vencê-los. Vencê-los não apenas para assumir o poder, mas organizados para enfrentá-los, para cercá-los, para impedir seus excessos e para obrigá-los a servir a sociedade e não mais se alimentar dela.

Estamos no fim de 2020, um ano marcado pela dor. Em meio a dor precisamos resistir, em busca de uma sociedade sustentável, justa e fraterna. 

Embora nos encontramos em meio à desordem nacional e mundial, é preciso resistir com esperança. Como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência, assim deve ser a nossa esperança.

Que 2021 seja um ano de reparação de danos. Sem reparação não há justiça social e sem justiça social não há futuro. A desigualdade social é o maior mal a ser vencido. É preciso resistir juntos, contra a corrupção, contra a impunidade, contra os impérios que dominam, e contra aqueles que prosperam diariamente do dinheiro sujo, contra a guerra imposta sobre nós trabalhadoras, trabalhadores, jovens e negros. Na minha caminhada de vida em busca de uma sociedade justa, eu aprendi que o único caminho que nos resta é o da resistência.

Resistir com solidariedade, servindo o outro nas suas necessidades na construção de uma sociedade justa para todas e todos.

Resistir pela educação. A mudança de uma sociedade começa nela e jamais alcançaremos o sucesso como sociedade se seguirmos permitindo a retirada de dinheiro e dos direitos dos profissionais da educação.

Resistir contra o desmatamento, contra a mão de obra escrava e contra garimpeiros e grileiros que seguem tirando a vida de agricultores, quilombolas e indígenas.

Resistir pela preservação de todas as espécies animais, da fauna e da flora, contra o tráfico humano e de animais, contra as brigas de galo.

Resistir contra o trabalho escravo, em favor do acolhimento aos imigrantes, daqueles que buscam refúgio.

Resistir a ganância, desejo exacerbado pelo consumo, pelo ter mais que pelo ser. Como sociedade é necessário evoluir, aprender a servir, a partilhar e amar o hoje, como se não houvesse o amanhã.

Enfim, acima de tudo, resistir contra a desigualdade social, ela é a razão de toda sorte de males, precariedade e desgraça humana. Quando há justiça social e econômica, há vida!

É importante dizer que quando o livro cristão diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, está se referindo diretamente ao acúmulo de riquezas a qualquer custo, a desigualdade social e a falta de oportunidades aos que mais precisam. Afinal, um punhado de ricos possuem mais capital do que o resto da humanidade, gerando incertezas, angústia, e dor na sociedade.

Desejo a vocês um Novo Ano de consciência social e que essa consciência os leve à resistência, à esperança e ao desejo da partilha e do servir. Desejo que a consciência social que excede todo o entendimento, guarde os vossos corações e dos vossos familiares.

Feliz Novo Ano!

Fonte/Créditos: Amilton Farias

Créditos (Imagem de capa): Claudio Siqueira

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