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Pela Palestina livre da ocupação, a bandeira da mudança

Os meios de comunicação hegemônicos parecem preparar-se para uma reviravolta na Palestina.
Pela Palestina livre da ocupação, a bandeira da mudança
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Pela Palestina livre da ocupação, a bandeira da mudança

Por Moara Crivelente / Portal Vermelho

Os meios de comunicação hegemônicos parecem preparar-se para uma reviravolta na Palestina. Notam o 15º aniversário do levante popular de 2000 contra a ocupação israelense, o ousado discurso do presidente Mahmoud Abbas na Assembleia Geral da ONU e o hasteamento da bandeira palestina diante da sua sede. É patente a insatisfação do povo palestino com o estado das coisas e a transformação que se constrói coloca Israel contra a parede.

Desde 2000, quando eclodiu a Segunda Intifada, o grande levante da resistência palestina contra a ocupação brutalmente reprimido por Israel, ao menos 1.996 crianças palestinas foram mortas por forças e colonos israelenses, estima a organização Defesa Internacional das Crianças – Palestina. Suas vidas foram tolhidas não apenas em grandes operações militares – três nos últimos cinco anos – como também no cotidiano de um regime opressivo de frequentes confrontos fatais entre ocupantes e ocupados.

No contexto de uma prolongada escalada da violêncianos territórios do Estado ocupado da Palestina, dois eventos foram noticiados com grande destaque nesta semana. Um deles, o hasteamento da bandeira palestina diante da sede da ONU em Nova York (assista aqui), simbolizou a esperança depositada pelo povo palestino nesta organização desde a sua concepção, há 70 anos.

Infelizmente, remete também ao ceticismo que brotou no peito de grande parte da população palestina com o papel da chamada “comunidade internacional” diante do enraizamento da ocupação israelense, que acha terreno fértil na impunidade com que seus líderes criam uma realidade pretensamente irreversível. Mas, diante desta tendência, a reação popular tem se fortalecido, e os palestinos reconhecem o papel dos movimentos sociais solidários à sua causa em todo o mundo, assim como o crescente posicionamento de diversos países.

Na abertura da 70ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 28 de setembro, entretanto, o presidente Abbas notou que – à exceção da presidenta Dilma Rousseff – praticamente nenhum líder mencionou a questão palestina. Completando um aniversário de reflexões fundamentais para a reversão da tendência de deslegitimação de uma organização aparelhada pelas grandes potências imperialistas, a ONU necessariamente discutiria um dos reflexos das suas limitações mais latentes durante todas essas décadas: a persistência da ocupação israelense da Palestina.

Mais de 20 anos após a assinatura do primeiro entre os Acordos de Olso, uma Declaração de Princípios para um processo de paz pretensamente datado, Abbas voltou a denunciar a expansão desenfreada das colônias israelenses – reconhecidamente ilegais – sobre territórios palestinos, a atuação truculenta e provocativa das forças israelenses em Jerusalém e no restante da Cisjordânia, a repetição das grandes ofensivas militares contra a Faixa de Gaza; a violação do direito dos refugiados ao retorno – são quase cinco milhões espalhados pelo mundo; a impunidade da liderança israelense e o atropelo dos acordos pela Potência Ocupante, Israel. O presidente disse:

Este povo não merece ser despojado da sua pátria, morrer no exílio ou ser engolido pelo mar, nem viver suas vidas fugindo de um campo de refugiados para outro. Entretanto, infelizmente, sua justa causa continua num impasse depois de tantos anos. Nosso povo depositou sua esperança nos países desta organização, para que o ajudem a conquistar a liberdade, a independência e a soberania.

 

Por um genuíno processo de paz

Na Palestina, o ceticismo contra as negociações com Israel é expressivo. Para trabalhadores urbanos e agricultores, estudantes, jovens, mulheres, crianças, parlamentares, defensores dos direitos humanos, jornalistas, ministros, enfim, a ocupação enraizada é o único resultado palpável do processo de paz, cuja mediação é praticamente monopolizada pelo maior aliado de Israel, os Estados Unidos. Daí a ênfase de vários líderes palestinos, inclusive Abbas, na necessidade de uma atuação multilateral para garantir o avanço do processo, incluindo diferentes atores na mediação, mais genuinamente preocupados com as violações estruturais dos direitos políticos, sociais, econômicos e culturais dos palestinos.

Em artigo para o diário The Huffington Post, às vésperas do seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Abbas já dera o tom que alvoroçou as agências de notícias – e grande parte dos títulos das matérias derivadas praticamente coincidia. Para os meios hegemônicos de comunicação, o que o presidente palestino, conhecido pela dedicação à diplomacia, havia feito, foi, em palavras pouco variantes, “rasgar os Acordos de Oslo” – termo escolhido por um diário direcionado aos judeus norte-americanos, The Forward.

A crescente violência nos territórios ocupados por Israel é frequentemente noticiada em fragmentos, sem grande correlação com o cenário mais abrangente, o do aprofundamento impune da ocupação israelense. Entre os vários crimes de guerra perpetrados neste regime está a própria transferência de população para habitar as colônias.

Os Acordos de Oslo, que dividiram a Palestina em zonas de controle, destinando a maior parte delas ao controle pretensamente momentâneo de Israel, dão novo impulso ao projeto. O que era para ser um “processo” estancou-se na oportunidade de expansão da ocupação, colocando os palestinos em disputa devido ao papel destinado à Autoridade Nacional Palestina (ANP) pressionada pelos “doadores internacionais” a cooperar com o regime israelense. Recentemente, aliás, relatórios do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional cumpriram o paroxismo de suas funções ao recomendar à ANP ajustes fiscais à moda daqueles impostos aos países em crise, com cortes a benefícios sociais e ao funcionalismo público – num lugar em que estes fatores são, já insuficientes, parte da sobrevivência na economia ocupada.

Farto desta condição, o discurso de Abbas na ONU, centrado na insustentabilidade da situação e na exigência por um Estado soberano, não deveria ter surpreendido. Os minimamente atentos enxergam há décadas o padrão que se repete à partir da institucionalização da ocupação israelense, abertamente pensada como estratégia pelos sionistas mais fervorosos e pela extrema-direita já confortável nas cadeiras de poder. Seu objetivo é eliminar de uma vez por todas a possibilidade de estabelecimento efetivo do Estado da Palestina.

O hasteamento da bandeira palestina na ONU – três anos após o reconhecimento do Estado como observador da organização por cerca de 140 países – e a solidariedade dos movimentos sociais em todo o mundo são potentes barreiras de resistência cada vez mais incontornáveis pela ocupação. A investida pela responsabilização da liderança israelense, sobretudo com a adesão palestina ao Tribunal Penal Internacional, deve fomentar o impulso decisivo, apoiado por cada vez mais atores internacionais, contra a impunidade como instrumento fundamental na manutenção da situação, pelo avanço definitivo de um verdadeiro processo de paz.

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Os meios de comunicação hegemônicos parecem preparar-se para uma reviravolta na Palestina. Notam o 15º aniversário do levante popular de 2000 contra a ocupação israelense, o ousado discurso do presidente Mahmoud Abbas na Assembleia Geral da ONU e o hasteamento da bandeira palestina diante da sua sede. É patente a insatisfação do povo palestino com o estado das coisas e a transformação que se constrói coloca Israel contra a parede.

Desde 2000, quando eclodiu a Segunda Intifada, o grande levante da resistência palestina contra a ocupação brutalmente reprimido por Israel, ao menos 1.996 crianças palestinas foram mortas por forças e colonos israelenses, estima a organização Defesa Internacional das Crianças – Palestina. Suas vidas foram tolhidas não apenas em grandes operações militares – três nos últimos cinco anos – como também no cotidiano de um regime opressivo de frequentes confrontos fatais entre ocupantes e ocupados.

No contexto de uma prolongada escalada da violêncianos territórios do Estado ocupado da Palestina, dois eventos foram noticiados com grande destaque nesta semana. Um deles, o hasteamento da bandeira palestina diante da sede da ONU em Nova York (assista aqui), simbolizou a esperança depositada pelo povo palestino nesta organização desde a sua concepção, há 70 anos.

Infelizmente, remete também ao ceticismo que brotou no peito de grande parte da população palestina com o papel da chamada “comunidade internacional” diante do enraizamento da ocupação israelense, que acha terreno fértil na impunidade com que seus líderes criam uma realidade pretensamente irreversível. Mas, diante desta tendência, a reação popular tem se fortalecido, e os palestinos reconhecem o papel dos movimentos sociais solidários à sua causa em todo o mundo, assim como o crescente posicionamento de diversos países.

Na abertura da 70ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 28 de setembro, entretanto, o presidente Abbas notou que – à exceção da presidenta Dilma Rousseff – praticamente nenhum líder mencionou a questão palestina. Completando um aniversário de reflexões fundamentais para a reversão da tendência de deslegitimação de uma organização aparelhada pelas grandes potências imperialistas, a ONU necessariamente discutiria um dos reflexos das suas limitações mais latentes durante todas essas décadas: a persistência da ocupação israelense da Palestina.

Mais de 20 anos após a assinatura do primeiro entre os Acordos de Olso, uma Declaração de Princípios para um processo de paz pretensamente datado, Abbas voltou a denunciar a expansão desenfreada das colônias israelenses – reconhecidamente ilegais – sobre territórios palestinos, a atuação truculenta e provocativa das forças israelenses em Jerusalém e no restante da Cisjordânia, a repetição das grandes ofensivas militares contra a Faixa de Gaza; a violação do direito dos refugiados ao retorno – são quase cinco milhões espalhados pelo mundo; a impunidade da liderança israelense e o atropelo dos acordos pela Potência Ocupante, Israel. O presidente disse:

Este povo não merece ser despojado da sua pátria, morrer no exílio ou ser engolido pelo mar, nem viver suas vidas fugindo de um campo de refugiados para outro. Entretanto, infelizmente, sua justa causa continua num impasse depois de tantos anos. Nosso povo depositou sua esperança nos países desta organização, para que o ajudem a conquistar a liberdade, a independência e a soberania.

 

Por um genuíno processo de paz

Na Palestina, o ceticismo contra as negociações com Israel é expressivo. Para trabalhadores urbanos e agricultores, estudantes, jovens, mulheres, crianças, parlamentares, defensores dos direitos humanos, jornalistas, ministros, enfim, a ocupação enraizada é o único resultado palpável do processo de paz, cuja mediação é praticamente monopolizada pelo maior aliado de Israel, os Estados Unidos. Daí a ênfase de vários líderes palestinos, inclusive Abbas, na necessidade de uma atuação multilateral para garantir o avanço do processo, incluindo diferentes atores na mediação, mais genuinamente preocupados com as violações estruturais dos direitos políticos, sociais, econômicos e culturais dos palestinos.

Em artigo para o diário The Huffington Post, às vésperas do seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Abbas já dera o tom que alvoroçou as agências de notícias – e grande parte dos títulos das matérias derivadas praticamente coincidia. Para os meios hegemônicos de comunicação, o que o presidente palestino, conhecido pela dedicação à diplomacia, havia feito, foi, em palavras pouco variantes, “rasgar os Acordos de Oslo” – termo escolhido por um diário direcionado aos judeus norte-americanos, The Forward.

A crescente violência nos territórios ocupados por Israel é frequentemente noticiada em fragmentos, sem grande correlação com o cenário mais abrangente, o do aprofundamento impune da ocupação israelense. Entre os vários crimes de guerra perpetrados neste regime está a própria transferência de população para habitar as colônias.

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Farto desta condição, o discurso de Abbas na ONU, centrado na insustentabilidade da situação e na exigência por um Estado soberano, não deveria ter surpreendido. Os minimamente atentos enxergam há décadas o padrão que se repete à partir da institucionalização da ocupação israelense, abertamente pensada como estratégia pelos sionistas mais fervorosos e pela extrema-direita já confortável nas cadeiras de poder. Seu objetivo é eliminar de uma vez por todas a possibilidade de estabelecimento efetivo do Estado da Palestina.

O hasteamento da bandeira palestina na ONU – três anos após o reconhecimento do Estado como observador da organização por cerca de 140 países – e a solidariedade dos movimentos sociais em todo o mundo são potentes barreiras de resistência cada vez mais incontornáveis pela ocupação. A investida pela responsabilização da liderança israelense, sobretudo com a adesão palestina ao Tribunal Penal Internacional, deve fomentar o impulso decisivo, apoiado por cada vez mais atores internacionais, contra a impunidade como instrumento fundamental na manutenção da situação, pelo avanço definitivo de um verdadeiro processo de paz.

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