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“O racismo estrutural bate à porta do audiovisual brasileiro”, alerta Elisa Lucinda sobre os negros no cinema

Aos 62 anos, Elisa Lucinda é um rosto conhecido na televisão, no cinema e também no meio literário.
“O racismo estrutural bate à porta do audiovisual brasileiro”, alerta Elisa Lucinda sobre os negros no cinema
Elisa Lucinda / Crédito: Instagram
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“O racismo estrutural bate à porta do audiovisual brasileiro”, alerta Elisa Lucinda sobre os negros no cinema

Aos 62 anos, Elisa Lucinda é um rosto conhecido na televisão, no cinema e também no meio literário. Na televisão, a última novela de Lucinda foi “Tempo de Amar”, em 2017. Desde então, a artista está se dedicando ao cinema e pode ser vista no curta-metragem “Alfazema”, de Sabrina Fidalgo. Na entrevista para o Canal Brasil, na sexta-feira, Elisa contou detalhes dos bastidores e o que mais gostou dentro da trama do curta-metragem. “Uma das coisas que eu gosto desse filme, com o máximo respeito à Sabrina, é a fala: dona da porra toda. E o mais legal é que o meu personagem é Deus. Não mudou para Deusa, é como se fosse uma palavra comum para os dois gêneros. Deus é uma mulher, como costumamos dizer. Foi lindo ter feito esse filme. Todo mundo sabia que o orçamento era baixo, mas caímos dentro”.

O curta-metragem, gravado em apenas um dia e lançado em 2019, foi premiado com os troféus Candango de Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora no “52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro” e Troféu de Melhor Filme pelo Juri Popular no “29º Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro – Curta Cinema”.

Apesar de ser um filme com outras mulheres negras no elenco, Elisa Lucinda abre os olhos do público quando o assunto é racismo estrutural dentro desse meio audiovisual. “O racismo estrutural bate à porta do audiovisual brasileiro de uma maneira muito séria. Existe uma reparação história que o audiovisual precisa fazer para os artistas negros. Porque são pessoas que, apenas pela cor, nunca tiveram a oportunidade de chegar à panela do cinema. E esse é um núcleo tão avançado, tão progressista. Ninguém viu que o racismo também estava ali?”, questiona.

Além disso, a atriz também fala sobre o preconceito velado tanto dentro do meio de trabalho, como quando o assunto é religião. “A mistura de estampas e texturas, que é algo bem africanos, sempre foi considerado de mau gosto. Até eu chamava assim quando era mais nova, porque não sabia direito. Então temos muito que caminhar. Eu mesma nunca trabalhei com uma figurinista negra aqui no Brasil”, conta. “E não só isso, mas os mitos, a simbologia do Candomblé. Essa palavra não tinha que dar medo em ninguém”, conclui.

Mesmo com a carreira de atriz premiada, Elisa tem desejo que sua poesia ganhe mais destaque. Ela fez questão de lembrar que essa arte a conquistou quando ainda era criança, mas que, mesmo após anos, ainda não é valorizada. “Acho a poesia um alimento tão precioso na vida de todo mundo, e normalmente passa de um modo batido. Ela fica guardada dentro de livros escolares, livrarias e ninguém vê. A poesia traduz a nossa sociedade. Tem poeta gay, lésbica, trans, negro, pobre, rico, tímido. Há poetas de todos os tipos, mas eles nem sempre são percebidos”, relatou na live para o Canal Brasil.

Autora de grandes sucessos como “O Semelhante”, em 1995, e sua obra mais recente chamada “Vozes Guardadas”, de 2016, Elisa também conta que sempre sentiu dificuldade de mostrar o seu lado poetiza para o grande público, principalmente em programas populares. “Eu tinha muita dificuldade de colocar a poesia nas entrevistas. Em programas populares, como Faustão ou Hebe, era mais difícil ainda. Como era ao vivo, eles sempre pediam que eu cantasse uma música, e eu falava: ‘queria falar um poema’, mas a resposta era: ‘no próximo bloco’. E o próximo bloco nunca chegava”, explicou no papo, que continuou: “As pessoas ficavam com medo da audiência cair. Então percebi que precisava fazer uma estratégia para colocar a poesia nas entrevistas sem que ela pudesse ser flagrada ou anunciada. Por isso, fiz poesias para perguntas recorrentes e sempre as recito quando posso”, disse.

 

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Aos 62 anos, Elisa Lucinda é um rosto conhecido na televisão, no cinema e também no meio literário. Na televisão, a última novela de Lucinda foi “Tempo de Amar”, em 2017. Desde então, a artista está se dedicando ao cinema e pode ser vista no curta-metragem “Alfazema”, de Sabrina Fidalgo. Na entrevista para o Canal Brasil, na sexta-feira, Elisa contou detalhes dos bastidores e o que mais gostou dentro da trama do curta-metragem. “Uma das coisas que eu gosto desse filme, com o máximo respeito à Sabrina, é a fala: dona da porra toda. E o mais legal é que o meu personagem é Deus. Não mudou para Deusa, é como se fosse uma palavra comum para os dois gêneros. Deus é uma mulher, como costumamos dizer. Foi lindo ter feito esse filme. Todo mundo sabia que o orçamento era baixo, mas caímos dentro”.

O curta-metragem, gravado em apenas um dia e lançado em 2019, foi premiado com os troféus Candango de Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora no “52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro” e Troféu de Melhor Filme pelo Juri Popular no “29º Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro – Curta Cinema”.

Apesar de ser um filme com outras mulheres negras no elenco, Elisa Lucinda abre os olhos do público quando o assunto é racismo estrutural dentro desse meio audiovisual. “O racismo estrutural bate à porta do audiovisual brasileiro de uma maneira muito séria. Existe uma reparação história que o audiovisual precisa fazer para os artistas negros. Porque são pessoas que, apenas pela cor, nunca tiveram a oportunidade de chegar à panela do cinema. E esse é um núcleo tão avançado, tão progressista. Ninguém viu que o racismo também estava ali?”, questiona.

Além disso, a atriz também fala sobre o preconceito velado tanto dentro do meio de trabalho, como quando o assunto é religião. “A mistura de estampas e texturas, que é algo bem africanos, sempre foi considerado de mau gosto. Até eu chamava assim quando era mais nova, porque não sabia direito. Então temos muito que caminhar. Eu mesma nunca trabalhei com uma figurinista negra aqui no Brasil”, conta. “E não só isso, mas os mitos, a simbologia do Candomblé. Essa palavra não tinha que dar medo em ninguém”, conclui.

Mesmo com a carreira de atriz premiada, Elisa tem desejo que sua poesia ganhe mais destaque. Ela fez questão de lembrar que essa arte a conquistou quando ainda era criança, mas que, mesmo após anos, ainda não é valorizada. “Acho a poesia um alimento tão precioso na vida de todo mundo, e normalmente passa de um modo batido. Ela fica guardada dentro de livros escolares, livrarias e ninguém vê. A poesia traduz a nossa sociedade. Tem poeta gay, lésbica, trans, negro, pobre, rico, tímido. Há poetas de todos os tipos, mas eles nem sempre são percebidos”, relatou na live para o Canal Brasil.

Autora de grandes sucessos como “O Semelhante”, em 1995, e sua obra mais recente chamada “Vozes Guardadas”, de 2016, Elisa também conta que sempre sentiu dificuldade de mostrar o seu lado poetiza para o grande público, principalmente em programas populares. “Eu tinha muita dificuldade de colocar a poesia nas entrevistas. Em programas populares, como Faustão ou Hebe, era mais difícil ainda. Como era ao vivo, eles sempre pediam que eu cantasse uma música, e eu falava: ‘queria falar um poema’, mas a resposta era: ‘no próximo bloco’. E o próximo bloco nunca chegava”, explicou no papo, que continuou: “As pessoas ficavam com medo da audiência cair. Então percebi que precisava fazer uma estratégia para colocar a poesia nas entrevistas sem que ela pudesse ser flagrada ou anunciada. Por isso, fiz poesias para perguntas recorrentes e sempre as recito quando posso”, disse.

 

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