A nova era da informação!

Em Alta

Livro – POR QUE OS POLICIAIS SE MATAM?

Um grupo de psicólogos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e pesquisadores do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção
Livro – POR QUE OS POLICIAIS SE MATAM?
13

Livro – POR QUE OS POLICIAIS SE MATAM?

Um grupo de psicólogos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e pesquisadores do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ lançou o livro “Por que os policiais se matam”, um dos mais completos estudos sobre a problemática do suicídio entre policiais, sob a coordenação da cientista política Dayse Miranda. A pesquisa, divulgada em março deste ano, foi motivada pela percepção de que algumas profissões, como a de policial, têm fatores de estresse maiores do que os da população em geral, o que leva a problemas emocionais e incidência de suicídio  mais elevados. No caso dos policiais, o ambiente de trabalho inclui rotina de agressões verbais, abuso de autoridade e humilhações dos superiores, escala de trabalho exaustiva, risco constante de ser ferido ou morto em uma operação, treinamento e equipamentos aquém do necessário, falta de reconhecimento pela sociedade, baixos salários etc.

Uma das variantes que mais contribui para altos índices de suicídio diz respeito à facilidade de acesso aos meios. É o que alerta a coordenadora da pesquisa: “Vemos uma interface de tensão entre o mundo do trabalho, com o policial sujeito a relações abusivas, e o mundo fora do trabalho, quando o policial doente reproduz relações violentas. Tudo isso num contexto em que o policial tem acesso a uma arma, o que facilita qualquer ato violento. Outros profissionais também têm problemas no trabalho. Mas não têm uma arma na cintura”.

Em dados divulgados à BBC em 2015 (veja matéria aqui), o grupo revelou que, de 224 policiais militares entrevistados, 10% disseram ter tentado suicídio e 22% afirmaram ter pensado em suicídio em algum momento. O estudo concluiu que o risco de suicídio entre policiais é quatro vezes superior ao da população em geral. Os pesquisadores alertam, porém, que os números são ainda maiores, pois há indícios de que muitos suicídios consumados são tratados como acidentes. As razões variam: alguns não querem expor o problema por questões socioculturais, pois ainda há tabu e preconceito em torno do suicida; outros por fatores econômicos, pois ainda há estados em que a família perde direitos se o policial provocou a própria morte.

Nessa mesma linha, a pesquisadora Patricia Constantino, responsável pelo estudo “Saúde mental dos agentes de segurança pública”, do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli, da Fundação Oswaldo Cruz, afirma que “os policiais relatam profundo sofrimento psíquico, tristeza, tremores, sentimento de inutilidade”. “Muitos confessam que usam drogas lícitas e às vezes ilícitas. Os policiais se sentem constrangidos em admitir isso. Muitas vezes o médico que o atende é de patente superior, então ele não vê ali o médico, vê o oficial”, acrescenta.

A delegada de Polícia Federal Tatiane Almeida, mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Lisboa, fala da dificuldade que o policial tem em revelar emoções e fragilidades, pois constrói a sua identidade em torno da imagem de força e coragem, inclusive no ambiente familiar e social. “O policial fica isolado da sociedade. Não sabe ser pai, ser marido. Quando perde o distintivo [ao se aposentar], fica sem saber o que fazer. Outro ponto é que está na nossa formação suspeitar sempre do outro. O policial acha que todo mundo é ruim e ele é o herói. E não aceita ser visto como fraco”, diz a delegada.

A saúde emocional desses profissionais deve ser foco de atenção das corporações. Além da preocupação com o indivíduo e sua família, não se pode deixar de reconhecer que um policial com problemas psíquicos como depressão, ansiedade, bipolaridade ou excesso de ira é um perigo para a sociedade, pois pode extravasar seu sofrimento e sua frustração nas ruas, sendo este um dos fatores que explicam a violência e a arbitrariedade comuns nos noticiários.

Clique aqui e conheça a América Latina: 

Cataratas do Iguaçu do Brasil e da Argentina

Conheça o Chile e passe por experiência únicas

Tango, Carne e belezas naturais, a fascinante Argentina

São Paulo um dos maiores centros culturais do mundo!

Uruguay de Punta del Este a Montevidéu um país livre para todos!

OUVIR NOTÍCIA

Um grupo de psicólogos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e pesquisadores do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ lançou o livro “Por que os policiais se matam”, um dos mais completos estudos sobre a problemática do suicídio entre policiais, sob a coordenação da cientista política Dayse Miranda. A pesquisa, divulgada em março deste ano, foi motivada pela percepção de que algumas profissões, como a de policial, têm fatores de estresse maiores do que os da população em geral, o que leva a problemas emocionais e incidência de suicídio  mais elevados. No caso dos policiais, o ambiente de trabalho inclui rotina de agressões verbais, abuso de autoridade e humilhações dos superiores, escala de trabalho exaustiva, risco constante de ser ferido ou morto em uma operação, treinamento e equipamentos aquém do necessário, falta de reconhecimento pela sociedade, baixos salários etc.

Uma das variantes que mais contribui para altos índices de suicídio diz respeito à facilidade de acesso aos meios. É o que alerta a coordenadora da pesquisa: “Vemos uma interface de tensão entre o mundo do trabalho, com o policial sujeito a relações abusivas, e o mundo fora do trabalho, quando o policial doente reproduz relações violentas. Tudo isso num contexto em que o policial tem acesso a uma arma, o que facilita qualquer ato violento. Outros profissionais também têm problemas no trabalho. Mas não têm uma arma na cintura”.

Em dados divulgados à BBC em 2015 (veja matéria aqui), o grupo revelou que, de 224 policiais militares entrevistados, 10% disseram ter tentado suicídio e 22% afirmaram ter pensado em suicídio em algum momento. O estudo concluiu que o risco de suicídio entre policiais é quatro vezes superior ao da população em geral. Os pesquisadores alertam, porém, que os números são ainda maiores, pois há indícios de que muitos suicídios consumados são tratados como acidentes. As razões variam: alguns não querem expor o problema por questões socioculturais, pois ainda há tabu e preconceito em torno do suicida; outros por fatores econômicos, pois ainda há estados em que a família perde direitos se o policial provocou a própria morte.

Nessa mesma linha, a pesquisadora Patricia Constantino, responsável pelo estudo “Saúde mental dos agentes de segurança pública”, do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli, da Fundação Oswaldo Cruz, afirma que “os policiais relatam profundo sofrimento psíquico, tristeza, tremores, sentimento de inutilidade”. “Muitos confessam que usam drogas lícitas e às vezes ilícitas. Os policiais se sentem constrangidos em admitir isso. Muitas vezes o médico que o atende é de patente superior, então ele não vê ali o médico, vê o oficial”, acrescenta.

A delegada de Polícia Federal Tatiane Almeida, mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Lisboa, fala da dificuldade que o policial tem em revelar emoções e fragilidades, pois constrói a sua identidade em torno da imagem de força e coragem, inclusive no ambiente familiar e social. “O policial fica isolado da sociedade. Não sabe ser pai, ser marido. Quando perde o distintivo [ao se aposentar], fica sem saber o que fazer. Outro ponto é que está na nossa formação suspeitar sempre do outro. O policial acha que todo mundo é ruim e ele é o herói. E não aceita ser visto como fraco”, diz a delegada.

A saúde emocional desses profissionais deve ser foco de atenção das corporações. Além da preocupação com o indivíduo e sua família, não se pode deixar de reconhecer que um policial com problemas psíquicos como depressão, ansiedade, bipolaridade ou excesso de ira é um perigo para a sociedade, pois pode extravasar seu sofrimento e sua frustração nas ruas, sendo este um dos fatores que explicam a violência e a arbitrariedade comuns nos noticiários.

Clique aqui e conheça a América Latina: 

Cataratas do Iguaçu do Brasil e da Argentina

Conheça o Chile e passe por experiência únicas

Tango, Carne e belezas naturais, a fascinante Argentina

São Paulo um dos maiores centros culturais do mundo!

Uruguay de Punta del Este a Montevidéu um país livre para todos!

Comentários

Quer mais artigos e as newsletters editoriais no seu e-mail?

Receba as notícias do dia e os alertas de última hora.
[CARREGANDO...]

Confira mais Notícias

Rolê na Fronteira
Feira Livre de Trocas da Tríplice Fronteira acontece no domingo, dia 10 de novembro em Foz do...
Feira Livre de Trocas da Tríplice Fronteira acontece no domingo, dia 10 de novembro em Foz do Iguaçu
VISUALIZAR
Sociedade
Em 6 meses, 35 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica
Em 6 meses, 35 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica
VISUALIZAR
Sociedade
MPPR propõe denúncia por crimes na gestão do transporte em Foz do Iguaçu
MPPR propõe denúncia por crimes na gestão do transporte em Foz do Iguaçu
VISUALIZAR
América Latina
Argentina: Fernández e Kirchner vencem Macri em retomada da esquerda
Argentina: Fernández e Kirchner vencem Macri em retomada da esquerda
VISUALIZAR
América Latina
Bogotá elege Claudia López prefeita, primeira mulher a comandar a capital da Colômbia
Bogotá elege Claudia López prefeita, primeira mulher a comandar a capital da Colômbia
VISUALIZAR
Agenda de Eventos
2ª Marcha da Diversidade e do Orgulho LGBTTQIAP+ da Tríplice Fronteira
2ª  Marcha da Diversidade e do Orgulho LGBTTQIAP+ da Tríplice Fronteira
VISUALIZAR
Fale com a redação!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )