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Governo estadual de SP reduz orçamento da TV Cultura e acentua desmonte

Apesar de ter a segunda melhor programação do mundo, a emissora sofre, nos últimos anos
Governo estadual de SP reduz orçamento da TV Cultura e acentua desmonte
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Governo estadual de SP reduz orçamento da TV Cultura e acentua desmonte

Gisele Brito / Brasil de Fato

Apesar de ter a segunda melhor programação do mundo, a emissora sofre, nos últimos anos, com retirada de programas do ar e demissões em massa.

O movimento ‘Eu quero a TV Cultura Viva!’ acredita que a administração do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e de Marcos Mendonça, atual presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a TV, está preparando o golpe final de um processo de sucateamento contínuo. Esse processo, segundo relata o Sindicato dos Jornalistas, que reduziu o número de funcionários da TV de 2.000 para 800.

“É uma salada de coisas que exemplificam o desmonte que o governo do estado vem fazendo. Uma delas foi ter cortado o contrato com a empresa que distribuía o sinal via parabólica para 300 cidades do interior e que custava R$ 300 mil, um valor que representa quase nada no orçamento, mas que fez a TV perder 30 milhões de expectadores”, afirma Ana Flávia Marques, representante do Sindicato dos Jornalistas no movimento, que já conseguiu mais de 120 mil assinaturas em menos de 15 dias, em um abaixo assinado online.

Ex-apresentadores da emissora também gravaram um vídeo apontando o fim de diversos programas no último período. O próximo na lista de extinção seria o ‘Viola Minha Viola’, campeão de audiência da casa.

Pública

A TV Cultura é o mais bem-sucedido canal de televisão público do país, justamente por ter conseguido obter audiência relevante em um ambiente dominado por emissoras comerciais e que pertencem a poucas famílias.

A Constituição garante a existência desse tipo de emissora, que, mais do que as outras duas opções previstas – comercial e estatal, como a Globo e a TV Senado, por exemplo –, deveria ter espaços de participação social.

“Essas emissoras não precisam ficar alinhadas a interesses comerciais, que às vezes impedem que coisas vão ao ar”, lembra Veridiana Alimonti, integrante do Intervozes, coletivo em defesa da democratização da comunicação. “A ideia é que exista uma instância de participação social na produção de educação e informação. A Cultura nunca foi perfeita nisso. Ela ainda é muito fechada, mas ter conseguido relevância na audiência é algo muito importante e é preciso usá-la como exemplo para melhorar. Não destruí-la”, argumenta.

Finanças

Segundo dados dos balanços financeiros da Fundação Padre Anchieta, de 2013 para 2014, as despesas com pessoal caíram de R$ 82,9 milhões para R$ 77,7 milhões. A queda foi puxada, principalmente, pela redução das remunerações, enquanto os gastos com estagiários e funcionários temporários subiram.

No caso dos estagiários, o valor foi de pouco mais de R$ 1,04 milhão, em 2013, para R$ 1,194 milhão no ano passado, um aumento de 10,7%. No caso dos temporários, os custos subiram de R$ 1,093 milhão para R$ 1,610 milhão, representando um crescimento de 47,25%.

A Cultura sobrevive, principalmente, com recursos provenientes de repasses do governo do Estado e suas secretarias, por meio de prestação de serviços. O orçamento previsto para este ano é de cerca d R$ 173 milhões, 20% menor do que o de 2014.

Gestões

Para Nico Prado, ex-diretor do ‘Viola Minha Viola’, além de diversos outros programas da emissora, as ingerências políticas das gestões tucanas são as principais responsáveis pela situação atual do canal, especialmente durante a gestão de João Sayad, à frente da Fundação Padre Anchieta entre 2010 e 2012.

Sayad é apontado como responsável por aprofundar o processo de terceirização de mão de obra e produção de programas. “Até o RH foi terceirizado durante a gestão do Sayad”, afirma Prado, que foi demitido no último corte da empresa. “Há uma total incapacidade para administrar o financeiro e o conteúdo. Além de ter a questão política, dogmática do PSDB de terceirizar”, afirma.

O ex-funcionário também atribuiu a situação financeira atual da TV Cultura à má-fé. “Há boatos de que o cenário do Metrópolis custou R$ 1 um milhão. E o Walker estava na Suíça com uma equipe gravando uma orquestra. Será que o governo suíço está pagando por isso?”, pondera. José Roberto Walker é diretor das rádios e homem forte do PSDB, segundo Prado.

O ex-diretor do Viola Minha Viola e vários outros funcionários foram demitidos sem receber o que deveriam, o valor correspondente à multa do FGTS e o aviso prévio. “Nós vamos entrar na Justiça e ganhar. E a dívida vai ficar aí. Porque presidente da TV Cultura é igual a presidente de clube de futebol, vem faz dívida, depois sai ileso”, lamenta.

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Apesar de ter a segunda melhor programação do mundo, a emissora sofre, nos últimos anos, com retirada de programas do ar e demissões em massa.

O movimento ‘Eu quero a TV Cultura Viva!’ acredita que a administração do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e de Marcos Mendonça, atual presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a TV, está preparando o golpe final de um processo de sucateamento contínuo. Esse processo, segundo relata o Sindicato dos Jornalistas, que reduziu o número de funcionários da TV de 2.000 para 800.

“É uma salada de coisas que exemplificam o desmonte que o governo do estado vem fazendo. Uma delas foi ter cortado o contrato com a empresa que distribuía o sinal via parabólica para 300 cidades do interior e que custava R$ 300 mil, um valor que representa quase nada no orçamento, mas que fez a TV perder 30 milhões de expectadores”, afirma Ana Flávia Marques, representante do Sindicato dos Jornalistas no movimento, que já conseguiu mais de 120 mil assinaturas em menos de 15 dias, em um abaixo assinado online.

Ex-apresentadores da emissora também gravaram um vídeo apontando o fim de diversos programas no último período. O próximo na lista de extinção seria o ‘Viola Minha Viola’, campeão de audiência da casa.

Pública

A TV Cultura é o mais bem-sucedido canal de televisão público do país, justamente por ter conseguido obter audiência relevante em um ambiente dominado por emissoras comerciais e que pertencem a poucas famílias.

A Constituição garante a existência desse tipo de emissora, que, mais do que as outras duas opções previstas – comercial e estatal, como a Globo e a TV Senado, por exemplo –, deveria ter espaços de participação social.

“Essas emissoras não precisam ficar alinhadas a interesses comerciais, que às vezes impedem que coisas vão ao ar”, lembra Veridiana Alimonti, integrante do Intervozes, coletivo em defesa da democratização da comunicação. “A ideia é que exista uma instância de participação social na produção de educação e informação. A Cultura nunca foi perfeita nisso. Ela ainda é muito fechada, mas ter conseguido relevância na audiência é algo muito importante e é preciso usá-la como exemplo para melhorar. Não destruí-la”, argumenta.

Finanças

Segundo dados dos balanços financeiros da Fundação Padre Anchieta, de 2013 para 2014, as despesas com pessoal caíram de R$ 82,9 milhões para R$ 77,7 milhões. A queda foi puxada, principalmente, pela redução das remunerações, enquanto os gastos com estagiários e funcionários temporários subiram.

No caso dos estagiários, o valor foi de pouco mais de R$ 1,04 milhão, em 2013, para R$ 1,194 milhão no ano passado, um aumento de 10,7%. No caso dos temporários, os custos subiram de R$ 1,093 milhão para R$ 1,610 milhão, representando um crescimento de 47,25%.

A Cultura sobrevive, principalmente, com recursos provenientes de repasses do governo do Estado e suas secretarias, por meio de prestação de serviços. O orçamento previsto para este ano é de cerca d R$ 173 milhões, 20% menor do que o de 2014.

Gestões

Para Nico Prado, ex-diretor do ‘Viola Minha Viola’, além de diversos outros programas da emissora, as ingerências políticas das gestões tucanas são as principais responsáveis pela situação atual do canal, especialmente durante a gestão de João Sayad, à frente da Fundação Padre Anchieta entre 2010 e 2012.

Sayad é apontado como responsável por aprofundar o processo de terceirização de mão de obra e produção de programas. “Até o RH foi terceirizado durante a gestão do Sayad”, afirma Prado, que foi demitido no último corte da empresa. “Há uma total incapacidade para administrar o financeiro e o conteúdo. Além de ter a questão política, dogmática do PSDB de terceirizar”, afirma.

O ex-funcionário também atribuiu a situação financeira atual da TV Cultura à má-fé. “Há boatos de que o cenário do Metrópolis custou R$ 1 um milhão. E o Walker estava na Suíça com uma equipe gravando uma orquestra. Será que o governo suíço está pagando por isso?”, pondera. José Roberto Walker é diretor das rádios e homem forte do PSDB, segundo Prado.

O ex-diretor do Viola Minha Viola e vários outros funcionários foram demitidos sem receber o que deveriam, o valor correspondente à multa do FGTS e o aviso prévio. “Nós vamos entrar na Justiça e ganhar. E a dívida vai ficar aí. Porque presidente da TV Cultura é igual a presidente de clube de futebol, vem faz dívida, depois sai ileso”, lamenta.

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