Sua nomeação para o cargo de embaixador dependeria de o STF rever essa decisão e também da aceitação de seu nome pelo governo da África do Sul e de uma aprovação após sabatina no Senado brasileiro.

Diplomatas ouvidos pelo Intercept consideraram a indicação “lamentável e um absurdo”. “Não é por ser judeu, católico, evangélico ou por não ter religião. É que o estado brasileiro é laico e, não me consta que, até hoje, bispo católico tenha sido indicado para ser embaixador”, me disse Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula.

Outro diplomata, embaixador, que preferiu falar reservadamente, disse não ver chances de êxito na nomeação de Marcelo Crivella para a embaixada na África do Sul. O governo sul-africano pode nem aceitar, e o Senado também deve barrar, em sua avaliação.

Com o apoio de Bolsonaro, Crivella e a Universal se esforçam para tentar viabilizar a indicação. Em 8 de junho, o bispo e também cantor gospel – que fala inglês e zulu, uma das línguas dos povos originários do sul da África e morou na África do Sul nos anos 1990 –, postou nas redes sociais uma de suas canções, “África”.

No clipe, imagens do continente africano e uma inscrição em zulu, “Ngi Buyela”, que quer dizer: “Estou voltando para casa”.