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Com o maior número de etnias do Brasil, Amazonas tem 53 idiomas indígenas ‘vivos’

Campanha da ONU chama a atenção para preservação dos línguas dos povos indígenas, muitos em risco de extinção.
Com o maior número de etnias do Brasil, Amazonas tem 53 idiomas indígenas ‘vivos’
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Com o maior número de etnias do Brasil, Amazonas tem 53 idiomas indígenas ‘vivos’

Luiz G. Melo / Manaus (AM)

Campanha da ONU chama a atenção para preservação dos línguas dos povos indígenas, muitos em risco de extinção. Em todo o País são 170 línguas

A língua identifica as práticas tradicionais e a cultura de um povo. Essa é a premissa da iniciativa da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que ao longo de 2019 celebrará o Ano Internacional das Línguas Indígenas, que tem como objetivo chamar a atenção para a importância dessas línguas para a riqueza cultural global. Há no Brasil, atualmente, cerca de 170 línguas indígenas “vivas”. E só no Amazonas, onde se concentra o maior número de etnias, há aproximadamente 53, que podem variar para mais ou para menos de acordo com a identificação de dialetos.

Segundo estimativa da Unesco, das cerca de sete mil línguas do mundo, apenas 3% da população mundial fala 96% delas. Grande parte dessas línguas, faladas por povos indígenas, continuarão a desaparecer em um ritmo alarmante, levando consigo suas histórias, tradições e memórias. Diante desse cenário, algumas iniciativas, como a produção de material didático nessas línguas, seu ensino nas escolas, a maior incorporação delas pelos serviços prestados pelo estado, como saúde e educação, e também a formação de professores indígenas no Amazonas, têm contribuído de alguma forma para que elas sejam fortalecidas e preservadas.

De acordo com a professora Jonise Nunes, o Estado precisa cuidar mais dessas línguas, formar mais pesquisadores e abrir mais editais de pesquisa a respeito dessa questão. “Há cerca de 15 linguistas que se dedicam às línguas indígenas atualmente. É pouco.  No entanto, a criação de um curso de formação de professores indígenas permitiu que se pensasse o ensino nas aldeias de uma perspectiva bilíngue, o que é positivo para a preservação dessas línguas”, diz ela, que é coordenadora do curso de licenciatura Formação de Professores Indígenas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que já existe há 10 anos, conta com 11 professores em seu quadro e já formou 150 professores de diversas etnias da região de São Gabriel da Cachoeira, Lábrea, Manicoré, Benjamin Constant e uma turma de cidades do Médio Solimões.

“Quando o aluno do nosso curso fala a língua materna, procuramos fortalecer o ensino bilíngue, mas quando fala somente português, o incentivamos, e alguns conseguem aprender os conhecimentos de seu povo para ensinar o básico da língua nativa de sua etnia para que ela continue circulando naquele espaço e assim fortalecer a identidade daquele povo”, reforça Jonise Nunes.

Só na região do município de São Gabriel da Cachoeira (distante 858 quilômetros de Manaus) há 16 línguas. Entre elas, além do português, o tukano, o baniwa e nheengatu são consideradas línguas oficiais da cidade. “Nessa região, o tariana e o werekena correm sérios riscos de extinção porque tem um número de falantes muito pequeno”, explica a professora Ana Ferreira, doutora em linguística pela Universidade de São Paulo (USP), cuja pesquisa de doutorado foi sobre a língua indígena arara, falada no sudoeste do Pará.

Por outro lado, de acordo com a pesquisadora, o tukano, o baniwa e o nheengatu, na região do Alto Rio Negro, e o tikuna, no Alto Solimões, são as línguas com o maior número de falantes no Amazonas e são consideradas línguas em expansão. “Principalmente por certas particularidades, como casamentos intertribais, e também porque os Tikuna são a maior população indígena do Amazonas”, explica.

Grafia e dicionário dos Baniwa

Em São Gabriel da Cachoeira, entre os Baniwa, segundo Bonifácio José, da Liderança Indígena Baniwa do Alto Rio Negro, as crianças da aldeia aprendem primeiro a língua baniwa, depois na escola têm aulas de português como segunda língua.

“Nosso povo trabalha para dar continuidade ao uso da nossa língua. Trabalhamos com as igrejas, universidades e pesquisadores para termos a escrita. Já temos a nova grafia em um dicionário Baniwa, além de ela ser uma das quatro línguas oficiais do município. Também temos materiais didáticos produzidos pelos professores durante cursos de magistério e superior. Hoje os professores trabalham com esse material nas escolas”, explica Bonifácio.

“Acreditamos que temos enriquecido a nossa cultura e a língua com a incorporação daquelas palavras que não existem em nosso contexto”, afirma, ressaltando que o contato com os meios de comunicação e as músicas são portas de entrada para a língua portuguesa nas aldeias, mas que isso não é visto como uma ameaça.  “Esse contato com o português enriquece a nossa língua, pois acrescenta mais palavras do que as que já temos”, diz.

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Campanha da ONU chama a atenção para preservação dos línguas dos povos indígenas, muitos em risco de extinção. Em todo o País são 170 línguas

A língua identifica as práticas tradicionais e a cultura de um povo. Essa é a premissa da iniciativa da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que ao longo de 2019 celebrará o Ano Internacional das Línguas Indígenas, que tem como objetivo chamar a atenção para a importância dessas línguas para a riqueza cultural global. Há no Brasil, atualmente, cerca de 170 línguas indígenas “vivas”. E só no Amazonas, onde se concentra o maior número de etnias, há aproximadamente 53, que podem variar para mais ou para menos de acordo com a identificação de dialetos.

Segundo estimativa da Unesco, das cerca de sete mil línguas do mundo, apenas 3% da população mundial fala 96% delas. Grande parte dessas línguas, faladas por povos indígenas, continuarão a desaparecer em um ritmo alarmante, levando consigo suas histórias, tradições e memórias. Diante desse cenário, algumas iniciativas, como a produção de material didático nessas línguas, seu ensino nas escolas, a maior incorporação delas pelos serviços prestados pelo estado, como saúde e educação, e também a formação de professores indígenas no Amazonas, têm contribuído de alguma forma para que elas sejam fortalecidas e preservadas.

De acordo com a professora Jonise Nunes, o Estado precisa cuidar mais dessas línguas, formar mais pesquisadores e abrir mais editais de pesquisa a respeito dessa questão. “Há cerca de 15 linguistas que se dedicam às línguas indígenas atualmente. É pouco.  No entanto, a criação de um curso de formação de professores indígenas permitiu que se pensasse o ensino nas aldeias de uma perspectiva bilíngue, o que é positivo para a preservação dessas línguas”, diz ela, que é coordenadora do curso de licenciatura Formação de Professores Indígenas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que já existe há 10 anos, conta com 11 professores em seu quadro e já formou 150 professores de diversas etnias da região de São Gabriel da Cachoeira, Lábrea, Manicoré, Benjamin Constant e uma turma de cidades do Médio Solimões.

“Quando o aluno do nosso curso fala a língua materna, procuramos fortalecer o ensino bilíngue, mas quando fala somente português, o incentivamos, e alguns conseguem aprender os conhecimentos de seu povo para ensinar o básico da língua nativa de sua etnia para que ela continue circulando naquele espaço e assim fortalecer a identidade daquele povo”, reforça Jonise Nunes.

Só na região do município de São Gabriel da Cachoeira (distante 858 quilômetros de Manaus) há 16 línguas. Entre elas, além do português, o tukano, o baniwa e nheengatu são consideradas línguas oficiais da cidade. “Nessa região, o tariana e o werekena correm sérios riscos de extinção porque tem um número de falantes muito pequeno”, explica a professora Ana Ferreira, doutora em linguística pela Universidade de São Paulo (USP), cuja pesquisa de doutorado foi sobre a língua indígena arara, falada no sudoeste do Pará.

Por outro lado, de acordo com a pesquisadora, o tukano, o baniwa e o nheengatu, na região do Alto Rio Negro, e o tikuna, no Alto Solimões, são as línguas com o maior número de falantes no Amazonas e são consideradas línguas em expansão. “Principalmente por certas particularidades, como casamentos intertribais, e também porque os Tikuna são a maior população indígena do Amazonas”, explica.

Grafia e dicionário dos Baniwa

Em São Gabriel da Cachoeira, entre os Baniwa, segundo Bonifácio José, da Liderança Indígena Baniwa do Alto Rio Negro, as crianças da aldeia aprendem primeiro a língua baniwa, depois na escola têm aulas de português como segunda língua.

“Nosso povo trabalha para dar continuidade ao uso da nossa língua. Trabalhamos com as igrejas, universidades e pesquisadores para termos a escrita. Já temos a nova grafia em um dicionário Baniwa, além de ela ser uma das quatro línguas oficiais do município. Também temos materiais didáticos produzidos pelos professores durante cursos de magistério e superior. Hoje os professores trabalham com esse material nas escolas”, explica Bonifácio.

“Acreditamos que temos enriquecido a nossa cultura e a língua com a incorporação daquelas palavras que não existem em nosso contexto”, afirma, ressaltando que o contato com os meios de comunicação e as músicas são portas de entrada para a língua portuguesa nas aldeias, mas que isso não é visto como uma ameaça.  “Esse contato com o português enriquece a nossa língua, pois acrescenta mais palavras do que as que já temos”, diz.

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Luiz G. Melo / Manaus (AM)

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