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Terça, 03 de agosto de 2021
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Boa Forma & Saúde

Cidades que distribuíram "kit covid" tiveram taxa de mortalidade mais alta

Dados não comprovam que a cloroquina e o ivermectina contribuíram para que mais pessoas morressem

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Dados não comprovam que a cloroquina e o ivermectina contribuíram para que mais pessoas morressem, mas desmontam o argumento de que o chamado "tratamento precoce" contra a Covid-19 é capaz de salvar vidas.

De dez municípios com mais de 100 mil habitantes que distribuíram oficialmente um kit com medicamentos para o chamado “tratamento precoce”, no ano passado,nove deles registraram uma taxa de mortalidade por covid-19 mais alta do que a média estadual.

A única exceção, Parintins (AM), tem uma taxa de mortalidade apenas 1,3% menor do que a média do Amazonas: enquanto o estado registra um acumulado de 159 óbitos por covid-19 por 100 mil habitantes, o dado do município é de 157 óbitos por 100.000 habitantes.

Os dados de municípios que distribuíram o ‘kit covid’ não são suficientes para concluir que a prescrição dos medicamentos sem eficácia contribuiu para as taxas de mortalidade mais altas, mas desmontam o argumento de que o chamado “tratamento precoce” é capaz de salvar vidas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), com base nos estudos científicos mais recentes e consistentes, não existe tratamento precoce para a covid-19. O protocolo da SBI segue preceitos semelhantes aos da Sociedade Americana de Infectologia e de outras entidades médicas especializadas.

As outras nove cidades que compõem o levantamento são Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Natal (RN), Cuiabá (MT), Boa Vista (RR), Jundiaí (SP), Gravataí (RS), Itajaí (SC) e Cachoeirinha (RS). Todas registram uma taxa de mortalidade maior do que a de seus estados. Os dados são do Ministério da Saúde e referem-se ao acumulado até quarta-feira (20)

De dez municípios com mais de 100 mil habitantes que distribuíram oficialmente um kit com medicamentos para o chamado “tratamento precoce”, no ano passado,nove deles registraram uma taxa de mortalidade por covid-19 mais alta do que a média estadual.

A única exceção, Parintins (AM), tem uma taxa de mortalidade apenas 1,3% menor do que a média do Amazonas: enquanto o estado registra um acumulado de 159 óbitos por covid-19 por 100 mil habitantes, o dado do município é de 157 óbitos por 100.000 habitantes.

A diferença mais significativa se verificou em Itajaí, em Santa Catarina. Com 133 óbitos por covid-19 por 100 mil habitantes, a taxa de mortalidade do município é 58,3% mais alta do que a do estado. Na capital do Rio Grande do Norte, Natal, a taxa de mortalidade pela doença causada pelo novo coronavírus é 57,1% mais alta do que a do estado. Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, a taxa de mortalidade é 50,7% mais elevada do que a do estado como um todo.

As prefeituras dos municípios montam seus ‘kits covid’ com base em um protocolo do Ministério da Saúde que recomenda o chamado “tratamento precoce” com medicamentos que não têm eficácia comprovada contra a covid-19.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em diversas ocasiões defenderam que se o “tratamento precoce”, que inclui a controversa hidroxicloroquina ou cloroquina, tivesse sido adotado de forma massiva no Brasil, o país não teria registrado tantas mortes pela doença.

Os medicamentos que constam nos ‘kits covid’ variam a depender da prefeitura que os distribuiu. Dos dez municípios pesquisados, apenas três não incluíram a hidroxicloroquina na cesta de medicamentos disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde ou nas farmácias populares. Entre eles está Parintins, a única cidade do levantamento que teve taxa de mortalidade inferior à de seu estado.

Todas as prefeituras dos municípios pesquisados, porém, incluíram no kit a azitromicina (antibiótico) — contraindicada para pacientes nos estágios iniciais da doença, segundo a SBI — e a ivermectina, um antiparasitário que não tem eficácia comprovada contra a covid-19.

No início desta semana, o ministro Pazuello afirmou que nunca defendeu “tratamento precoce” para covid-19, mas, sim, “atendimento precoce”. Foi desmentido prontamente, pois há inúmeros registros de sua defesa a remédios sem comprovação científica.

A insistência de Bolsonaro e de seu ministro em promover medicamentos sem eficácia desviou o foco de medidas que realmente podiam ajudar no combate à pandemia, como o distanciamento social e a compra de vacinas em quantidade suficiente para atender ao menos os grupos prioritários.

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Fonte/Créditos: Diogo Schelp, em seu blog

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