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Biografia – György Lukács

Segundo Lucien Goldmann, Lukács refez, em sua acidentada trajetória, o percurso da filosofia clássica alemã
Biografia – György Lukács
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Biografia – György Lukács

György Lukács ou Georg Lukács (AFI: [?ør? luk??t?], Budapeste, 13 de abril de 1885 — Budapeste, 5 de junho de 1971) foi um filósofo húngaro de grande importância no cenário intelectual do século XX. Segundo Lucien Goldmann, Lukács refez, em sua acidentada trajetória, o percurso da filosofia clássica alemã: inicialmente um crítico influenciado por Kant, depois o encontro com Hegel e finalmente, a adesão ao marxismo. Seu nome completo era Georg Bernhard Lukács von Szegedin em alemão ou Szegedi Lukács György Bernát em húngaro.

Período pré-marxista

Enquanto estudava na Universidade de Budapeste, Lukács foi membro de vários círculos socialistas que o colocaram em contato com o anarco-sindicalista Ervin Szabó, que o introduziu nas obras de Georges Sorel. Seu enfoque neste período foi, portanto,modernista e anti-positivista. De 1904 a 1908, ele esteve envolvido num grupo teatral que produziu peças de dramaturgos comoHenrik Ibsen, August Strindberg e Gerhart Hauptmann.

Lukács passou a maior parte deste período na Alemanha: estudou em Berlim em 1906 e, novamente, em 1909-10, onde fez amizade com Georg Simmel, e em Heidelberg, em 1913, onde se tornou amigo de Max Weber, Ernst Bloch e Stefan George. O sistema idealista que Lukács subscrevia neste tempo era derivado do neokantismo que dominava as universidades da Alemanha, mas também de algo de Platão, Hegel, Kierkegaard, Dilthey e Dostoievsky.

Lukács retornou a Budapeste em 1915 e liderou um círculo intelectual predominantemente de esquerda, que incluía figuras eminentes tais como Karl Mannheim, Béla Bartok, Béla Balázs e Karl Polanyi entre outros.

Período marxista sob o domínio de Stálin

À luz da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa, Lukács repensou suas ideias. Ele tornou-se um dedicado marxista neste período e juntou-se ao clandestino Partido Comunista da Hungria em 1918. Como parte do curto governo da República Soviética da Hungria, Lukács foi feito Comissário do Povo para a Educação e Cultura (foi representante do Comissariado para Educação Zsigmond Kunfi). Durante este período da República Soviética da Hungria, Lukács trabalhou como comissário na Quinta Divisão do Exército Vermelho Húngaro.

Depois que a República Soviética da Hungria foi derrotada, Lukács entra na clandestinidade indo para Viena. Ele foi preso, mas salvo da extradição graças aos esforços de um grupo de escritores que incluía Thomas Mann e Heinrich Mann.

Lukács voltou sua atenção para o desenvolvimento das ideias Leninistas no campo da filosofia. Sua maior obra neste tempo foi a coletânea de ensaios “História e Consciência de Classe“, primeiramente publicada em 1923. Estes ensaios demonstram seu esforço em prover o leninismo de uma melhor base filosófica do que o próprio Lênin tinha feito. Ao lado do trabalho de Karl Korsch, o livro foi atacado no quinto congresso do Comintern, em julho de 1924, por Grigory Zinoviev. Em 1924, logo depois da morte de Lênin, Lukács também publicou um curto estudo sobre ele: Um Estudo sobre a Unidade de seu Pensamento. Em 1925, ele publicou uma revisão crítica do Manual do Materialismo Histórico de Nikolai Bukharin.

Como húngaro exilado, ele permaneceu ativo na esquerda do Partido Comunista da Hungria, e se opôs ao programa de Béla Kun. Suas Teses sobre Blum de 1928 clamava pela derrubada do regime de Horthy por meio de uma estratégia similar à Frente Popular dos anos 1930. Ele advogou uma ditadura democrática do proletariado e camponeses como um estágio de transição até a ditadura do proletariado. A estratégia de Lukács foi condenada pelo Comintern e posteriormente ele fez uma autocrítica política.

Lukács viveu em Berlim de 1929 a 1933, mas mudou-se para Moscou após a ascensão do nazismo, permanecendo lá até o fim da Segunda Guerra Mundial. Como Lukács viveu na União Soviética durante os anos 1940, ele foi considerado como agente do aparato de segurança soviética assim como Imre Nagy foi. (Vede Granville, Joanna. “Imre Nagy, aka “Volodya” – a dent in the martyr’s halo?” Cold War International History Project Bulletin 5 (1995): 28, 34-36; KGB Chief Kryuchkov to CC CPSU, 16 June 1989 (trans. Joanna Granville). Cold War International History Project Bulletin 5 (1995): 36 [from: TsKhSD, F. 89, Per. 45, Dok. 82.]).

Depois da Guerra, Lukács se envolveu no estabelecimento do novo governo da Hungria, como membro do Partido Comunista Húngaro. Desde 1945 Lukács foi membro da Academia de Ciências Húngara. Entre 1945 e 1946 ele criticou duramente os filósofos e escritores não-comunistas. Este trabalho crítico foi parte da obrigação do trabalho de Lukács no partido, embora ele certamente também acreditasse na necessidade da crítica do pensamento não-comunista como intelectualmente deficiente. Lukács foi acusado de jogar um jogo “administrativo” (legal-bureaucratic) de remoção dos intelectuais independentes e não-comunistas como Béla Hamvas, István Bibó e Lajos Prohászka, Károly Kerényi da vida acadêmica húngara. Intelectuais não-comunistas, como Bibó, foram freqüentemente presos, forçados a entrar em manicômios e admitidos em trabalhos de menor envergadura intelectual (como trabalhos de traduções) ou ainda forçados a trabalhos manuais durante o período de 1946–1953. Claudio Mutti diz que Lukács foi o membro da comissão do partido responsável pela feitura de listas de livros e trabalhos anti-democráticos e socialmente aberrantes. No jargão daqueles tempos “anti-democrático” era usado para significar anti-partidário ou anti-comunista e socialmente “aberrante” era usado para se referir a afirmações moral e eticamente consideradas fora da muito estreita ética oficial do Partido Comunista. As listas de trabalhos banidos (em três partes totalizando 160 páginas) eram distribuídas pelo Departamento de Propaganda e Informação do escritório do Primeiro Ministro. Os autores destes trabalhos eram silenciados pela lei, ou despedidos. Embora somente pela crítica intelectual, ou também pelos meios “administrativos”, Lukács teve culpa pela censura da sociedade civil húngara durante a era de Tática Salami, de 1945 a 1950, na qual se estabeleceu o governo de Mátyás Rákosi.

Entretanto, a posição política pessoal de Lukács a respeito de estética e política cultural foi sempre que a cultura socialista deveria eventualmente triunfar em termos de qualidade, mas que este conflito devia se dar como competição cultural, não como medidas “administrativas”. Em 1948–49 a posição de Lukács pela tolerância intelectual dentro do partido culminou no seu expurgo, quando Mátyás Rákosi voltou com sua famosa Tática Salami sobre o próprio Partido Comunista Húngaro. Lukács foi reintegrado na vida do partido em meados dos anos 1950, e foi usado pelo partido durante os expurgos da associação de escritores em 1955-56 (Veja Aczel, Meray Revolt of the Mind). Contudo, Aczel e Meray acreditavam que Lukács esteve apenas presente nos expurgos e citam que Lukács deixou o presidium e as reuniões como primeira evidência de relutância.

Período da desestalinização

Em 1956 Lukács tornou-se ministro do breve governo comunista revolucionário liderado por Imre Nagy ao qual a União Soviética se opôs. Neste tempo, a filha de Lukács liderou a juventude comunista revolucionária. A posição de Lukács na Revolução Húngara de 1956 foi a de que o Partido Comunista Húngaro necessitava se retratar dentro da coalizão governamental dos socialistas, e rapidamente reconstruir sua credibilidade diante do povo húngaro. Com isto, enquanto ministro do governo revolucionário de Imre Nagy, Lukács também participou da refundação do Partido Comunista Húngaro em novas bases. Este partido foi rapidamente cooptado por János Kádár depois do 4 de Novembro de 1956.(Woroszylski, 1957).

Durante a Revolução Húngara de 1956, Lukács esteve presente nos debates da anti-partidária e revolucionária sociedade comunista Petofi, enquanto continuava a fazer parte do aparato partidário. Durante a Revolução, como mencionado no “Diário de Budapeste“, Lukács defendeu um novo alinhamento ao Partido Comunista da União Soviética. No ponto de vista de Lukács, o novo partido poderia ganhar a liderança social pela persuasão ao invés da força. Lukács concebeu uma aliança entre os dissidentes jovens do partido, o revolucionário Partido Social Democrata Húngaro e o Partido Comunista Soviético de Lukács como o mais jovem parceiro. Depois de 1956, Lukács por pouco evitou a execução, e não reintegrou-se no aparato partidário devido ao seu papel no governo revolucionário de Nagy. Os seguidores de Lukács foram indiciados por crimes políticos ao longo dos anos 1960 e 70, e vários deles fugiram para o Ocidente. O livro de Lukács sobre o Jovem Hegel e a Destruição da Razão foi usado para argumentar que ele havia se tornado um crítico do stalinismo como uma irracional distorção do Hegeliano-Marxismo de Lukács.

Após a derrota da Revolução, Lukács foi deportado para a Romênia com o resto do governo Nagy mas ao contrário de Nagy, ele sobreviveu aos expurgos de 1956. Retornou a Budapeste em 1957. Lukács abandonou publicamente suas posições de 1956 e fez uma autocrítica. Tendo abandonado suas primeiras posições autocriticamente, Lukács permaneceu leal ao Partido Comunista até sua morte em 1971. Entretanto, Lukács tornou-se o maior crítico do Partido Comunista da União Soviética e Hungria em seus últimos anos, após os levantamentos na França e Tchecoslováquia de 1968. Foi sepultado no Cemitério Kerepesi, Budapeste na Hungria.

História e Consciência de Classe

Escrito entre 1919 e 1922 e publicado em 1923, “História e Consciência” inicia a corrente de pensamento que passou a ser conhecida como marxismo ocidental. O livro é notável pela contribuição ao debate concernente à relação entre sociologia, política e filosofia com o marxismo e pela reconstituição da teoria marxista da alienação, antes dos escritos de juventude do jovem Marx terem sido publicados. O trabalho de Lukács elabora e expande-se sobre teorias marxistas tais como ideologia, falsa consciência, reificação e consciência de classe.

Para Lukács, “ideologia” é realmente a projeção da consciência de classe da burguesia, que funciona para prevenir que o proletariado atente para a real consciência de sua posição revolucionária. A ideologia determina mais a “forma de objetividade” do que a estrutura do conhecimento por si mesmo. A ciência do real deve se ater, de acordo com Lukács, ao pensamento da “totalidade concreta” através de que é possível pensar objetivamente um período histórico. Destarte, as chamadas “leis” eternas da economia são desmistificadas como ilusão ideológica projetada pelo objetivismo (“O que é Marxismo Ortodoxo?”, parágrafo 3º). Ele também escreve: “Somente quando o coração do ser mostra-se como ser social, pode aparecer como um produto, inconsciente, da atividade humana, e esta atividade, por sua vez, é o elemento decisivo de transformação do ser.”(“O que é Marxismo Ortodoxo?”, parágrafo 5º). Finalmente, o “marxismo ortodoxo” não é definido como uma interpretação de O Capital como se este fosse uma Bíblia, mas como fiel ao método marxiano, à sua dialética.

Lukács apresenta a categoria da reificação argumentando que, devido à natureza íntima da sociedade capitalista, as relações sociais transformam-se em ‘coisificação’, impedindo o surgimento da consciência de classe. É neste contexto que um partido leninista emerge, no sentido de um revigorado marxismo dialético.

Já no ensaio homônimo à obra, “História da Consciência de Classe” (1920), Lukács lida primeiramente com a ausência da conceituação de classe em Marx, definindo-a como posição no modo de produção. A cada classe no capitalismo há uma consciência equivalente. Essa consciência não consiste no entendimento pessoal ou psicológico dos interesses individuais dos membros da classe, tampouco a soma ou a média desses entendimentos, mas seu sentido histórico: a história permite que uma consciência seja interpretada racionalmente e adjudicada à classe.

Lukács concentra-se, então, na análise de duas classes: burguesia e proletariado. A burguesia, apesar de poder teoricamente entender a totalidade da sociedade, tem sua compreensão obstada pelos seus interesses e sua consciência assim fadada a uma falsa consciência. O proletariado tem o potencial pleno para a consciência da totalidade porque tem interesse na destruição do modo de produção capitalista; falta-lhe, porém, desvencilhar-se da falsa consciência tomada emprestada da burguesia, que estruturalmente e ideologicamente submete o todo da sociedade aos seus interesses. Para o filósofo húngaro, a revolução proletária não viria passivamente, mas como resultado da tomada de consciência pelo proletariado. As crises do capitalismo forçariam o proletário a abrir os olhos, conscientizar-se de sua posição de classe e identificar seus interesses com aqueles indicados historicamente.

No fim da carreira, Lukács repudiou as ideias de “História e Consciência de Classe“, em particular a crença no proletariado como sujeito-objeto da história (1960: posfácio da tradução francesa), mas escreveu uma defesa deles, assim como fizera em 1925 e 1926. Este livro Lukács chamou “A Defesa de História e Consciência de Classe” e somente foi publicado em húngaro, em 1996, e inglês, em 2000. Esta obra talvez tenha sido o mais importante texto marxista desconhecido do século XX.

 

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György Lukács ou Georg Lukács (AFI: [?ør? luk??t?], Budapeste, 13 de abril de 1885 — Budapeste, 5 de junho de 1971) foi um filósofo húngaro de grande importância no cenário intelectual do século XX. Segundo Lucien Goldmann, Lukács refez, em sua acidentada trajetória, o percurso da filosofia clássica alemã: inicialmente um crítico influenciado por Kant, depois o encontro com Hegel e finalmente, a adesão ao marxismo. Seu nome completo era Georg Bernhard Lukács von Szegedin em alemão ou Szegedi Lukács György Bernát em húngaro.

Período pré-marxista

Enquanto estudava na Universidade de Budapeste, Lukács foi membro de vários círculos socialistas que o colocaram em contato com o anarco-sindicalista Ervin Szabó, que o introduziu nas obras de Georges Sorel. Seu enfoque neste período foi, portanto,modernista e anti-positivista. De 1904 a 1908, ele esteve envolvido num grupo teatral que produziu peças de dramaturgos comoHenrik Ibsen, August Strindberg e Gerhart Hauptmann.

Lukács passou a maior parte deste período na Alemanha: estudou em Berlim em 1906 e, novamente, em 1909-10, onde fez amizade com Georg Simmel, e em Heidelberg, em 1913, onde se tornou amigo de Max Weber, Ernst Bloch e Stefan George. O sistema idealista que Lukács subscrevia neste tempo era derivado do neokantismo que dominava as universidades da Alemanha, mas também de algo de Platão, Hegel, Kierkegaard, Dilthey e Dostoievsky.

Lukács retornou a Budapeste em 1915 e liderou um círculo intelectual predominantemente de esquerda, que incluía figuras eminentes tais como Karl Mannheim, Béla Bartok, Béla Balázs e Karl Polanyi entre outros.

Período marxista sob o domínio de Stálin

À luz da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa, Lukács repensou suas ideias. Ele tornou-se um dedicado marxista neste período e juntou-se ao clandestino Partido Comunista da Hungria em 1918. Como parte do curto governo da República Soviética da Hungria, Lukács foi feito Comissário do Povo para a Educação e Cultura (foi representante do Comissariado para Educação Zsigmond Kunfi). Durante este período da República Soviética da Hungria, Lukács trabalhou como comissário na Quinta Divisão do Exército Vermelho Húngaro.

Depois que a República Soviética da Hungria foi derrotada, Lukács entra na clandestinidade indo para Viena. Ele foi preso, mas salvo da extradição graças aos esforços de um grupo de escritores que incluía Thomas Mann e Heinrich Mann.

Lukács voltou sua atenção para o desenvolvimento das ideias Leninistas no campo da filosofia. Sua maior obra neste tempo foi a coletânea de ensaios “História e Consciência de Classe“, primeiramente publicada em 1923. Estes ensaios demonstram seu esforço em prover o leninismo de uma melhor base filosófica do que o próprio Lênin tinha feito. Ao lado do trabalho de Karl Korsch, o livro foi atacado no quinto congresso do Comintern, em julho de 1924, por Grigory Zinoviev. Em 1924, logo depois da morte de Lênin, Lukács também publicou um curto estudo sobre ele: Um Estudo sobre a Unidade de seu Pensamento. Em 1925, ele publicou uma revisão crítica do Manual do Materialismo Histórico de Nikolai Bukharin.

Como húngaro exilado, ele permaneceu ativo na esquerda do Partido Comunista da Hungria, e se opôs ao programa de Béla Kun. Suas Teses sobre Blum de 1928 clamava pela derrubada do regime de Horthy por meio de uma estratégia similar à Frente Popular dos anos 1930. Ele advogou uma ditadura democrática do proletariado e camponeses como um estágio de transição até a ditadura do proletariado. A estratégia de Lukács foi condenada pelo Comintern e posteriormente ele fez uma autocrítica política.

Lukács viveu em Berlim de 1929 a 1933, mas mudou-se para Moscou após a ascensão do nazismo, permanecendo lá até o fim da Segunda Guerra Mundial. Como Lukács viveu na União Soviética durante os anos 1940, ele foi considerado como agente do aparato de segurança soviética assim como Imre Nagy foi. (Vede Granville, Joanna. “Imre Nagy, aka “Volodya” – a dent in the martyr’s halo?” Cold War International History Project Bulletin 5 (1995): 28, 34-36; KGB Chief Kryuchkov to CC CPSU, 16 June 1989 (trans. Joanna Granville). Cold War International History Project Bulletin 5 (1995): 36 [from: TsKhSD, F. 89, Per. 45, Dok. 82.]).

Depois da Guerra, Lukács se envolveu no estabelecimento do novo governo da Hungria, como membro do Partido Comunista Húngaro. Desde 1945 Lukács foi membro da Academia de Ciências Húngara. Entre 1945 e 1946 ele criticou duramente os filósofos e escritores não-comunistas. Este trabalho crítico foi parte da obrigação do trabalho de Lukács no partido, embora ele certamente também acreditasse na necessidade da crítica do pensamento não-comunista como intelectualmente deficiente. Lukács foi acusado de jogar um jogo “administrativo” (legal-bureaucratic) de remoção dos intelectuais independentes e não-comunistas como Béla Hamvas, István Bibó e Lajos Prohászka, Károly Kerényi da vida acadêmica húngara. Intelectuais não-comunistas, como Bibó, foram freqüentemente presos, forçados a entrar em manicômios e admitidos em trabalhos de menor envergadura intelectual (como trabalhos de traduções) ou ainda forçados a trabalhos manuais durante o período de 1946–1953. Claudio Mutti diz que Lukács foi o membro da comissão do partido responsável pela feitura de listas de livros e trabalhos anti-democráticos e socialmente aberrantes. No jargão daqueles tempos “anti-democrático” era usado para significar anti-partidário ou anti-comunista e socialmente “aberrante” era usado para se referir a afirmações moral e eticamente consideradas fora da muito estreita ética oficial do Partido Comunista. As listas de trabalhos banidos (em três partes totalizando 160 páginas) eram distribuídas pelo Departamento de Propaganda e Informação do escritório do Primeiro Ministro. Os autores destes trabalhos eram silenciados pela lei, ou despedidos. Embora somente pela crítica intelectual, ou também pelos meios “administrativos”, Lukács teve culpa pela censura da sociedade civil húngara durante a era de Tática Salami, de 1945 a 1950, na qual se estabeleceu o governo de Mátyás Rákosi.

Entretanto, a posição política pessoal de Lukács a respeito de estética e política cultural foi sempre que a cultura socialista deveria eventualmente triunfar em termos de qualidade, mas que este conflito devia se dar como competição cultural, não como medidas “administrativas”. Em 1948–49 a posição de Lukács pela tolerância intelectual dentro do partido culminou no seu expurgo, quando Mátyás Rákosi voltou com sua famosa Tática Salami sobre o próprio Partido Comunista Húngaro. Lukács foi reintegrado na vida do partido em meados dos anos 1950, e foi usado pelo partido durante os expurgos da associação de escritores em 1955-56 (Veja Aczel, Meray Revolt of the Mind). Contudo, Aczel e Meray acreditavam que Lukács esteve apenas presente nos expurgos e citam que Lukács deixou o presidium e as reuniões como primeira evidência de relutância.

Período da desestalinização

Em 1956 Lukács tornou-se ministro do breve governo comunista revolucionário liderado por Imre Nagy ao qual a União Soviética se opôs. Neste tempo, a filha de Lukács liderou a juventude comunista revolucionária. A posição de Lukács na Revolução Húngara de 1956 foi a de que o Partido Comunista Húngaro necessitava se retratar dentro da coalizão governamental dos socialistas, e rapidamente reconstruir sua credibilidade diante do povo húngaro. Com isto, enquanto ministro do governo revolucionário de Imre Nagy, Lukács também participou da refundação do Partido Comunista Húngaro em novas bases. Este partido foi rapidamente cooptado por János Kádár depois do 4 de Novembro de 1956.(Woroszylski, 1957).

Durante a Revolução Húngara de 1956, Lukács esteve presente nos debates da anti-partidária e revolucionária sociedade comunista Petofi, enquanto continuava a fazer parte do aparato partidário. Durante a Revolução, como mencionado no “Diário de Budapeste“, Lukács defendeu um novo alinhamento ao Partido Comunista da União Soviética. No ponto de vista de Lukács, o novo partido poderia ganhar a liderança social pela persuasão ao invés da força. Lukács concebeu uma aliança entre os dissidentes jovens do partido, o revolucionário Partido Social Democrata Húngaro e o Partido Comunista Soviético de Lukács como o mais jovem parceiro. Depois de 1956, Lukács por pouco evitou a execução, e não reintegrou-se no aparato partidário devido ao seu papel no governo revolucionário de Nagy. Os seguidores de Lukács foram indiciados por crimes políticos ao longo dos anos 1960 e 70, e vários deles fugiram para o Ocidente. O livro de Lukács sobre o Jovem Hegel e a Destruição da Razão foi usado para argumentar que ele havia se tornado um crítico do stalinismo como uma irracional distorção do Hegeliano-Marxismo de Lukács.

Após a derrota da Revolução, Lukács foi deportado para a Romênia com o resto do governo Nagy mas ao contrário de Nagy, ele sobreviveu aos expurgos de 1956. Retornou a Budapeste em 1957. Lukács abandonou publicamente suas posições de 1956 e fez uma autocrítica. Tendo abandonado suas primeiras posições autocriticamente, Lukács permaneceu leal ao Partido Comunista até sua morte em 1971. Entretanto, Lukács tornou-se o maior crítico do Partido Comunista da União Soviética e Hungria em seus últimos anos, após os levantamentos na França e Tchecoslováquia de 1968. Foi sepultado no Cemitério Kerepesi, Budapeste na Hungria.

História e Consciência de Classe

Escrito entre 1919 e 1922 e publicado em 1923, “História e Consciência” inicia a corrente de pensamento que passou a ser conhecida como marxismo ocidental. O livro é notável pela contribuição ao debate concernente à relação entre sociologia, política e filosofia com o marxismo e pela reconstituição da teoria marxista da alienação, antes dos escritos de juventude do jovem Marx terem sido publicados. O trabalho de Lukács elabora e expande-se sobre teorias marxistas tais como ideologia, falsa consciência, reificação e consciência de classe.

Para Lukács, “ideologia” é realmente a projeção da consciência de classe da burguesia, que funciona para prevenir que o proletariado atente para a real consciência de sua posição revolucionária. A ideologia determina mais a “forma de objetividade” do que a estrutura do conhecimento por si mesmo. A ciência do real deve se ater, de acordo com Lukács, ao pensamento da “totalidade concreta” através de que é possível pensar objetivamente um período histórico. Destarte, as chamadas “leis” eternas da economia são desmistificadas como ilusão ideológica projetada pelo objetivismo (“O que é Marxismo Ortodoxo?”, parágrafo 3º). Ele também escreve: “Somente quando o coração do ser mostra-se como ser social, pode aparecer como um produto, inconsciente, da atividade humana, e esta atividade, por sua vez, é o elemento decisivo de transformação do ser.”(“O que é Marxismo Ortodoxo?”, parágrafo 5º). Finalmente, o “marxismo ortodoxo” não é definido como uma interpretação de O Capital como se este fosse uma Bíblia, mas como fiel ao método marxiano, à sua dialética.

Lukács apresenta a categoria da reificação argumentando que, devido à natureza íntima da sociedade capitalista, as relações sociais transformam-se em ‘coisificação’, impedindo o surgimento da consciência de classe. É neste contexto que um partido leninista emerge, no sentido de um revigorado marxismo dialético.

Já no ensaio homônimo à obra, “História da Consciência de Classe” (1920), Lukács lida primeiramente com a ausência da conceituação de classe em Marx, definindo-a como posição no modo de produção. A cada classe no capitalismo há uma consciência equivalente. Essa consciência não consiste no entendimento pessoal ou psicológico dos interesses individuais dos membros da classe, tampouco a soma ou a média desses entendimentos, mas seu sentido histórico: a história permite que uma consciência seja interpretada racionalmente e adjudicada à classe.

Lukács concentra-se, então, na análise de duas classes: burguesia e proletariado. A burguesia, apesar de poder teoricamente entender a totalidade da sociedade, tem sua compreensão obstada pelos seus interesses e sua consciência assim fadada a uma falsa consciência. O proletariado tem o potencial pleno para a consciência da totalidade porque tem interesse na destruição do modo de produção capitalista; falta-lhe, porém, desvencilhar-se da falsa consciência tomada emprestada da burguesia, que estruturalmente e ideologicamente submete o todo da sociedade aos seus interesses. Para o filósofo húngaro, a revolução proletária não viria passivamente, mas como resultado da tomada de consciência pelo proletariado. As crises do capitalismo forçariam o proletário a abrir os olhos, conscientizar-se de sua posição de classe e identificar seus interesses com aqueles indicados historicamente.

No fim da carreira, Lukács repudiou as ideias de “História e Consciência de Classe“, em particular a crença no proletariado como sujeito-objeto da história (1960: posfácio da tradução francesa), mas escreveu uma defesa deles, assim como fizera em 1925 e 1926. Este livro Lukács chamou “A Defesa de História e Consciência de Classe” e somente foi publicado em húngaro, em 1996, e inglês, em 2000. Esta obra talvez tenha sido o mais importante texto marxista desconhecido do século XX.

 

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