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Batman completa 80 anos com uma HQ com cheiro de revolução

‘Dark Knight Returns: The Golden Child’ sai nesta quarta-feira em inglês no mundo todo.
Batman completa 80 anos com uma HQ com cheiro de revolução
Página do novo 'Dark Knight Returns: The Golden Child', cujo desenho foi feito com participação de Grampá.
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Batman completa 80 anos com uma HQ com cheiro de revolução

NAIARA GALARRAGA GORTÁZAR - EL PAÍS

‘Dark Knight Returns: The Golden Child’ sai nesta quarta-feira em inglês no mundo todo. O desenhista brasileiro Rafael Grampá detalha seu trabalho com Frank Miller

O desenhista brasileiro Rafael Grampá, ganhador do prêmio Eisner 2008, é um desses fãs privilegiados que com os anos conseguiram trabalhar com um de seus ídolos, o roteirista Frank Miller, quem ao longo dos anos acumulou vários Oscars das HQs; juntos eles criaram o último episódio de um dos super-heróis que marcaram sua infância, BatmanDark Knight Returns: The Golden Child (O regresso do cavaleiro negro: a criança de ouro) sai nesta quarta-feira no mundo todo, embora por enquanto só em inglês. Este quarto capítulo da saga com que Miller levou as histórias do Batman à maturidade é lançado quando o homem-morcego completa 80 anos e é protagonizado “pela nova geração”, contava recentemente Grampá (Pelotas, RS, 1978) no seu estúdio em São Paulo.

criança de ouro do título é uma das novidades desta graphic novel, um novo personagem, Jonathan. Um menino de cinco ou seis anos que “é uma espécie de iluminado, um Buda, uma mistura de kriptoniano e amazona”, conta Grampá, segundo quem o moleque “representa essa nova voz que surge neste coro de jovens como Greta [Thunberg] e milhares de outros que hoje em dia utilizam suas vozes como suas armas, que ensinam os adultos a fazerem o que realmente é correto ou justo neste momento”. A obra, que na esteira das anteriores conta como a super-heroína Carrie vai se tornando o novo Batman, inclui vários acenos à atualidade, inclusive uma participação da tão admirada quanto odiada ativista sueca, recebida como uma estrela do rock na atual cúpula da ONU contra a mudança climática, em Madri.

Pois acontece que esta é uma história do Batman sem o Batman, algo que em princípio inquietou inclusive Grampá. “Esta história não precisa do Batman… Quando começamos a fazer a história, perguntei: onde colocamos o Batman? E o Frank Miller me disse: ‘Espera aí, você vai ver que não vamos precisar dele’”. Afirma que, superada a surpresa inicial, está de acordo com o mítico artista: “Não achei que ficaria tão satisfeito com a história do Batman sem o Batman”. Na verdade, é algo mais complicado: “Ele tem uma participação especial muito inteligente. Aparece sem aparecer”. Prefere não dar nem um detalhe a mais.

Mas o desenhista deixa claro que a mudança geracional é absoluta. “Não temos mais o Batman, nem o Superman, nem a Mulher Maravilha… Não temos ninguém da geração antiga. Estamos falando de uma nova geração, com uma nova ideologia, com novas maneiras de lutar, com novos ideais.”

A trama, da qual revela poucos detalhes, gira em torno da ideia de revolução. Grampá – que diz que com este projeto para a DC Comics pela primeira vez irá ganhar dinheiro desenhando quadrinhos – mostra um desenho que, segundo ele, traduziu o que ele tinha em mente. Batman aparece de costas, a ponto de lançar um coquetel molotov contra uma fileira de policiais antimotins. É uma cena que, protagonizada por um manifestante, poderia ter saído de qualquer telejornal.

 

O desenhista Rafael Grampa.

Passaram-se quatro anos desde que Grampá fez sua primeira brainstorm com o antigo ídolo. A primeira proposta chegou dois dias antes de conhecer Miller, num almoço em Nova York. Em 2016 decidiram trabalhar juntos, em 2017 definiram o tema da história, e em 2018 Miller lhe enviou a trama. Grampá detalha como é seu processo criativo com um artista que vive a milhares de quilômetros de distância. “É um vaivém. Ele me manda uma trama que não posso contar, são cenas bem abertas nas quais tive que fazer cenas para criar pontes entre suas cenas, e isso me deu muita liberdade. Apresento-lhe o esboço das páginas e minhas anotações. E a partir daí debatemos”. Conta que desenhar as páginas de Dark Knight Returns: The Golden Child levou uns sete meses, e mais alguns meses para colorir e colocar os diálogos.


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‘Dark Knight Returns: The Golden Child’ sai nesta quarta-feira em inglês no mundo todo. O desenhista brasileiro Rafael Grampá detalha seu trabalho com Frank Miller

O desenhista brasileiro Rafael Grampá, ganhador do prêmio Eisner 2008, é um desses fãs privilegiados que com os anos conseguiram trabalhar com um de seus ídolos, o roteirista Frank Miller, quem ao longo dos anos acumulou vários Oscars das HQs; juntos eles criaram o último episódio de um dos super-heróis que marcaram sua infância, BatmanDark Knight Returns: The Golden Child (O regresso do cavaleiro negro: a criança de ouro) sai nesta quarta-feira no mundo todo, embora por enquanto só em inglês. Este quarto capítulo da saga com que Miller levou as histórias do Batman à maturidade é lançado quando o homem-morcego completa 80 anos e é protagonizado “pela nova geração”, contava recentemente Grampá (Pelotas, RS, 1978) no seu estúdio em São Paulo.

criança de ouro do título é uma das novidades desta graphic novel, um novo personagem, Jonathan. Um menino de cinco ou seis anos que “é uma espécie de iluminado, um Buda, uma mistura de kriptoniano e amazona”, conta Grampá, segundo quem o moleque “representa essa nova voz que surge neste coro de jovens como Greta [Thunberg] e milhares de outros que hoje em dia utilizam suas vozes como suas armas, que ensinam os adultos a fazerem o que realmente é correto ou justo neste momento”. A obra, que na esteira das anteriores conta como a super-heroína Carrie vai se tornando o novo Batman, inclui vários acenos à atualidade, inclusive uma participação da tão admirada quanto odiada ativista sueca, recebida como uma estrela do rock na atual cúpula da ONU contra a mudança climática, em Madri.

Pois acontece que esta é uma história do Batman sem o Batman, algo que em princípio inquietou inclusive Grampá. “Esta história não precisa do Batman… Quando começamos a fazer a história, perguntei: onde colocamos o Batman? E o Frank Miller me disse: ‘Espera aí, você vai ver que não vamos precisar dele’”. Afirma que, superada a surpresa inicial, está de acordo com o mítico artista: “Não achei que ficaria tão satisfeito com a história do Batman sem o Batman”. Na verdade, é algo mais complicado: “Ele tem uma participação especial muito inteligente. Aparece sem aparecer”. Prefere não dar nem um detalhe a mais.

Mas o desenhista deixa claro que a mudança geracional é absoluta. “Não temos mais o Batman, nem o Superman, nem a Mulher Maravilha… Não temos ninguém da geração antiga. Estamos falando de uma nova geração, com uma nova ideologia, com novas maneiras de lutar, com novos ideais.”

A trama, da qual revela poucos detalhes, gira em torno da ideia de revolução. Grampá – que diz que com este projeto para a DC Comics pela primeira vez irá ganhar dinheiro desenhando quadrinhos – mostra um desenho que, segundo ele, traduziu o que ele tinha em mente. Batman aparece de costas, a ponto de lançar um coquetel molotov contra uma fileira de policiais antimotins. É uma cena que, protagonizada por um manifestante, poderia ter saído de qualquer telejornal.

 

O desenhista Rafael Grampa.

Passaram-se quatro anos desde que Grampá fez sua primeira brainstorm com o antigo ídolo. A primeira proposta chegou dois dias antes de conhecer Miller, num almoço em Nova York. Em 2016 decidiram trabalhar juntos, em 2017 definiram o tema da história, e em 2018 Miller lhe enviou a trama. Grampá detalha como é seu processo criativo com um artista que vive a milhares de quilômetros de distância. “É um vaivém. Ele me manda uma trama que não posso contar, são cenas bem abertas nas quais tive que fazer cenas para criar pontes entre suas cenas, e isso me deu muita liberdade. Apresento-lhe o esboço das páginas e minhas anotações. E a partir daí debatemos”. Conta que desenhar as páginas de Dark Knight Returns: The Golden Child levou uns sete meses, e mais alguns meses para colorir e colocar os diálogos.


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NAIARA GALARRAGA GORTÁZAR - EL PAÍS

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