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Advogado que tem post viralizado sobre discriminação no Leblon desabafa

O CONTEÚDO DO POST NO FACEBOOK:
Advogado que tem post viralizado sobre discriminação no Leblon desabafa
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Advogado que tem post viralizado sobre discriminação no Leblon desabafa

 

O CONTEÚDO DO POST NO FACEBOOK:

“Surreal! Estava agora há pouco com meus filhos numa sorveteria na Ataulfo de Paiva, no final do Leblon. Quando estávamos já terminando os nossos sorvetes, apareceu um menino negro e pobre vendendo balas. Depois de não conseguir vender sequer uma bala para nenhuma pessoa que lá estava – inclusive eu – ele voltou a mim e me pediu “o senhor compraria um sorvete pra mim”. Eu, meus dois filhos e a babá já terminando os nossos deliciosos sorvetes e uma criança, trabalhando, negra, pobre e provavelmente moradora de favela me pedindo um mísero sorvete. Claro que respondi que sim! Perguntei a ele o sabor e fomos até a caixa. Logo após comprar o sorvete para aquela criança, uma senhora, de boa aparência, se vira pra mim e educadamente me pergunta: “o senhor é morador do Leblon?”. Respondi que sim e fiquei tentando reconhecer quem seria aquela senhora, uma ex vizinha, uma ex professora, etc. Poderia esperar qualquer coisa menos a frase que veio logo a seguir: “porque com o senhor fazendo isso, aí é que esta gente não vai embora daqui mesmo”. Isto na frente daquela pobre criança, que naturalmente não esboçou qualquer reação. Deve infelizmente estar acostumada a ser tratada como um ser humano inferior. Estupefato, estampei um sorriso no rosto como forma de autocontrole e, educadamente, não resisti: “a senhora agora vai me mandar pra Cuba?”. No que ela respondeu, ainda para piorar, apontando para a criança: “é este tipo de gente que estraga o nosso bairro”. Não tive coragem de olhar para o rosto daquela criança. Sorri novamente e disse “quem estraga o nosso bairro é parte dos próprios moradores que infelizmente pensam como a senhora”.
Hoje é dia 23 de dezembro e provavelmente esta senhora estará amanhã à noite em família “pregando o bem”. Nasci, cresci e sempre vivi no Leblon. Sei muito bem como parte dos moradores pensam, mas jamais havia presenciado cena desta natureza. Independente de concepções, de opiniões políticas ideológicas, partidárias, etc, a crueldade da atitude daquela senhora foi explícita, pública, dita em alto e bom som, sem qualquer pudor, eivada de ódio daquela pobre criança. Vivo criticando a esquerda por uma aparente vulgarização do termo “fascista”, por inúmeros motivos que aqui não cabem. Mas é fato que nossa elite nestes últimos tempos de excesso de opiniões raivosas e superficiais em detrimento de um mínimo de conhecimento e reflexão, se aproxima cada vez mais de um caminho irracional e suicida. Poucos, muito poucos, lucram com isso e certamente não é o(a) morador(a) do Leblon, que se ilude em viver num principado isolado do resto da cidade e do país. Enquanto isso vou lendo o livro da Marcia Tiburi por prazer e por necessidade (rs) e vou fazendo votos para que 2016 seja pelo menos um pouco diferente…”

Breno Melaragno Costa é advogado, professor universitário, pai de 2 crianças e morador do Leblon. Há poucos dias ele postou um relato sobre um incidente envolvendo uma criança pobre que vendia balas pelas ruas do Leblon e a reação de uma moradora do bairro. Seu post viralizou, provocou opiniões e posicionamentos e virou notícia em outras mídias. Conversei com ele sobre o ocorrido, sobre os problemas do Brasil, do ser humano e sobre o futuro.
 
Breno, há menos de uma semana atrás, você relatou um fato ocorrido com você no Leblon, bairro em que você mora, que viralizou em poucos horas e hoje atingiu mais de 30 mil curtidas, além de muitos, quase 10.000  compartilhamentos. O assunto é sério, é visceral. Fala dos abismos sociais que vivemos e dos abismos mentais em que muitos brasileiros se encontram. É a primeira vez que você se depara com tal posicionamento elitista, bairrista, classsita, nazista e cruel no Lado “iluminado” do Rio de Janeiro?

Evidentemente não foi a primeira vez que me deparei com tal opinião, que era comum antigamente e que vem se tornando mais frequente recentemente, mas foi a primeira vez que presenciei alguém humilhando uma vítima com esta opinião. Eu e muitos cansamos de escutar este tipo de coisa, mas no meu caso foi a primeira vez que presenciei uma humilhação in loco. O que mais me causou atenção neste caso foram duas coisas: a humilhação presente da vítima e a tranquilidade com que aquela senhora falava aquilo, sem qualquer receio de ser repreendida. Quando ela apontou para a criança e disse aquilo ela parecia ter a absoluta certeza de que não teria qualquer problema com isso, como de fato não houve. Algumas poucas pessoas na internet me cobraram uma atitude mais dura com aquela senhora, como por exemplo “dar voz de prisão”. Mas em nenhum momento ela se referiu diretamente a elementos de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, conforme o conceito jurídico da lei 7.716/89, que criminaliza tais condutas.

Você é advogado e, sobretudo, professor de Direito e acadêmico. Como é para você ver uma situação lícita, mas incostitucional, legal, mas imoral, como o de crianças na rua pedindo dinheiro e comida? Você acredita em algum conjunto de medidas ou mesmo um sistema econômico que resolva ou ao menos suavize dessa realidade?

No caso em voga era um trabalhador informal, já que é uma criança que vende balas na rua. Não é exatamente um pedinte, mas certamente não estava numa situação legal de trabalho. As três esferas de poder estatal (Municipal, Estadual e Federal) têm que dar cada vez maior atenção a estes casos. A criança que aparentava ter a idade do meu filho de 7 anos não estava vendendo informalmente balas nas calçadas do Leblon à toa. Não se sabe a história dele, mas fato é que o Estado tem  a obrigação, ao meu ver, de saber o porquê e pelo menos ajudar.

O que mais me chamou a atenção no seu post (e aqui vai mais do que só uma pergunta, e sim uma opinião para debate) é a grande hipocrisia em que se vive: a religião. É como se rezar e comungar, cultuar ou fazer meia dúzia de caridades, compensasse os posicionamentos cruéis e nada Cristãos. É como se a religião – não sei se a daquela senhora a que você se refere, mas certamente a de muitas outras do mesmo naipe – fosse o travesseiro macio que perdoa todos os maus pensamentos e más ações. Transfere-se para o outro (Deus ou entes a fins) o que é de inteira responsabilidade de cada um. Você acredita numa religião (veja bem, não falo de fé) que realmente pudesse contribuir com a melhoria dos seres humanos, especialmente os brasileiros?

Certamente esta senhora vê aquela criança, um ser humano como ela, como um ser inferior. Isto ficou muito claro pra mim. Como eu disse no post, pessoas de esquerda vivem rotulando outras que discordam delas como “Fascistas”, e acho isto perigoso e muitas vezes injusto. O sujeito é de esquerda e pelo fato de um outro não concordar 100% com sua opinião já é logo rotulado de “fascista”. O Fascismo foi e é algo muito sério, delicado e principalmente perigoso. Vivemos numa democracia e o fascista é contra isso.  Só que infelizmente há algo hoje em dia na sociedade que quer rotular um ser humano como inferior a outros por conta da sua condição sócio-econômica. E este tipo de pensamento é muito perigoso, pois realmente se assemelha com o fascismo. Todos são iguais, independente de condição sócio econômica, raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Qual é o Brasil e o Rio que você espera em  2016 para os seus filhos?

Quanto mais os valores democráticos forem difundidos e arraigados na sociedade brasileira, melhor para os meus filhos que têm 7 e 4 anos, e para todos. Acho inconcebível em pleno século 21 termos bolsões de miséria num país tão rico como o Brasil. E a corrupção e os interesses privados são os responsáveis por isto. A riqueza do Brasil deveria permitir a todos os brasileiros condições dignas de viver.

cleardot Advogado que tem post viralizado sobre discriminação no Leblon desabafaGostaria de acrescentar que jamais imaginei que meu post pudesse tomar tamanha proporção… Jamais imaginei mais de 30 mil curtidas e quase 10 mil compartilhamentos… Minha intenção foi mesmo compartilhar a minha perplexidade e tristeza.
 
Sim, Breno. Basta analisar um pouco do seu perfil e em como você se colocou para entender qual foi a sua intenção.
 
 

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“Surreal! Estava agora há pouco com meus filhos numa sorveteria na Ataulfo de Paiva, no final do Leblon. Quando estávamos já terminando os nossos sorvetes, apareceu um menino negro e pobre vendendo balas. Depois de não conseguir vender sequer uma bala para nenhuma pessoa que lá estava – inclusive eu – ele voltou a mim e me pediu “o senhor compraria um sorvete pra mim”. Eu, meus dois filhos e a babá já terminando os nossos deliciosos sorvetes e uma criança, trabalhando, negra, pobre e provavelmente moradora de favela me pedindo um mísero sorvete. Claro que respondi que sim! Perguntei a ele o sabor e fomos até a caixa. Logo após comprar o sorvete para aquela criança, uma senhora, de boa aparência, se vira pra mim e educadamente me pergunta: “o senhor é morador do Leblon?”. Respondi que sim e fiquei tentando reconhecer quem seria aquela senhora, uma ex vizinha, uma ex professora, etc. Poderia esperar qualquer coisa menos a frase que veio logo a seguir: “porque com o senhor fazendo isso, aí é que esta gente não vai embora daqui mesmo”. Isto na frente daquela pobre criança, que naturalmente não esboçou qualquer reação. Deve infelizmente estar acostumada a ser tratada como um ser humano inferior. Estupefato, estampei um sorriso no rosto como forma de autocontrole e, educadamente, não resisti: “a senhora agora vai me mandar pra Cuba?”. No que ela respondeu, ainda para piorar, apontando para a criança: “é este tipo de gente que estraga o nosso bairro”. Não tive coragem de olhar para o rosto daquela criança. Sorri novamente e disse “quem estraga o nosso bairro é parte dos próprios moradores que infelizmente pensam como a senhora”.
Hoje é dia 23 de dezembro e provavelmente esta senhora estará amanhã à noite em família “pregando o bem”. Nasci, cresci e sempre vivi no Leblon. Sei muito bem como parte dos moradores pensam, mas jamais havia presenciado cena desta natureza. Independente de concepções, de opiniões políticas ideológicas, partidárias, etc, a crueldade da atitude daquela senhora foi explícita, pública, dita em alto e bom som, sem qualquer pudor, eivada de ódio daquela pobre criança. Vivo criticando a esquerda por uma aparente vulgarização do termo “fascista”, por inúmeros motivos que aqui não cabem. Mas é fato que nossa elite nestes últimos tempos de excesso de opiniões raivosas e superficiais em detrimento de um mínimo de conhecimento e reflexão, se aproxima cada vez mais de um caminho irracional e suicida. Poucos, muito poucos, lucram com isso e certamente não é o(a) morador(a) do Leblon, que se ilude em viver num principado isolado do resto da cidade e do país. Enquanto isso vou lendo o livro da Marcia Tiburi por prazer e por necessidade (rs) e vou fazendo votos para que 2016 seja pelo menos um pouco diferente…”

Breno Melaragno Costa é advogado, professor universitário, pai de 2 crianças e morador do Leblon. Há poucos dias ele postou um relato sobre um incidente envolvendo uma criança pobre que vendia balas pelas ruas do Leblon e a reação de uma moradora do bairro. Seu post viralizou, provocou opiniões e posicionamentos e virou notícia em outras mídias. Conversei com ele sobre o ocorrido, sobre os problemas do Brasil, do ser humano e sobre o futuro.
 
Breno, há menos de uma semana atrás, você relatou um fato ocorrido com você no Leblon, bairro em que você mora, que viralizou em poucos horas e hoje atingiu mais de 30 mil curtidas, além de muitos, quase 10.000  compartilhamentos. O assunto é sério, é visceral. Fala dos abismos sociais que vivemos e dos abismos mentais em que muitos brasileiros se encontram. É a primeira vez que você se depara com tal posicionamento elitista, bairrista, classsita, nazista e cruel no Lado “iluminado” do Rio de Janeiro?

Evidentemente não foi a primeira vez que me deparei com tal opinião, que era comum antigamente e que vem se tornando mais frequente recentemente, mas foi a primeira vez que presenciei alguém humilhando uma vítima com esta opinião. Eu e muitos cansamos de escutar este tipo de coisa, mas no meu caso foi a primeira vez que presenciei uma humilhação in loco. O que mais me causou atenção neste caso foram duas coisas: a humilhação presente da vítima e a tranquilidade com que aquela senhora falava aquilo, sem qualquer receio de ser repreendida. Quando ela apontou para a criança e disse aquilo ela parecia ter a absoluta certeza de que não teria qualquer problema com isso, como de fato não houve. Algumas poucas pessoas na internet me cobraram uma atitude mais dura com aquela senhora, como por exemplo “dar voz de prisão”. Mas em nenhum momento ela se referiu diretamente a elementos de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, conforme o conceito jurídico da lei 7.716/89, que criminaliza tais condutas.

Você é advogado e, sobretudo, professor de Direito e acadêmico. Como é para você ver uma situação lícita, mas incostitucional, legal, mas imoral, como o de crianças na rua pedindo dinheiro e comida? Você acredita em algum conjunto de medidas ou mesmo um sistema econômico que resolva ou ao menos suavize dessa realidade?

No caso em voga era um trabalhador informal, já que é uma criança que vende balas na rua. Não é exatamente um pedinte, mas certamente não estava numa situação legal de trabalho. As três esferas de poder estatal (Municipal, Estadual e Federal) têm que dar cada vez maior atenção a estes casos. A criança que aparentava ter a idade do meu filho de 7 anos não estava vendendo informalmente balas nas calçadas do Leblon à toa. Não se sabe a história dele, mas fato é que o Estado tem  a obrigação, ao meu ver, de saber o porquê e pelo menos ajudar.

O que mais me chamou a atenção no seu post (e aqui vai mais do que só uma pergunta, e sim uma opinião para debate) é a grande hipocrisia em que se vive: a religião. É como se rezar e comungar, cultuar ou fazer meia dúzia de caridades, compensasse os posicionamentos cruéis e nada Cristãos. É como se a religião – não sei se a daquela senhora a que você se refere, mas certamente a de muitas outras do mesmo naipe – fosse o travesseiro macio que perdoa todos os maus pensamentos e más ações. Transfere-se para o outro (Deus ou entes a fins) o que é de inteira responsabilidade de cada um. Você acredita numa religião (veja bem, não falo de fé) que realmente pudesse contribuir com a melhoria dos seres humanos, especialmente os brasileiros?

Certamente esta senhora vê aquela criança, um ser humano como ela, como um ser inferior. Isto ficou muito claro pra mim. Como eu disse no post, pessoas de esquerda vivem rotulando outras que discordam delas como “Fascistas”, e acho isto perigoso e muitas vezes injusto. O sujeito é de esquerda e pelo fato de um outro não concordar 100% com sua opinião já é logo rotulado de “fascista”. O Fascismo foi e é algo muito sério, delicado e principalmente perigoso. Vivemos numa democracia e o fascista é contra isso.  Só que infelizmente há algo hoje em dia na sociedade que quer rotular um ser humano como inferior a outros por conta da sua condição sócio-econômica. E este tipo de pensamento é muito perigoso, pois realmente se assemelha com o fascismo. Todos são iguais, independente de condição sócio econômica, raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Qual é o Brasil e o Rio que você espera em  2016 para os seus filhos?

Quanto mais os valores democráticos forem difundidos e arraigados na sociedade brasileira, melhor para os meus filhos que têm 7 e 4 anos, e para todos. Acho inconcebível em pleno século 21 termos bolsões de miséria num país tão rico como o Brasil. E a corrupção e os interesses privados são os responsáveis por isto. A riqueza do Brasil deveria permitir a todos os brasileiros condições dignas de viver.

cleardot Advogado que tem post viralizado sobre discriminação no Leblon desabafaGostaria de acrescentar que jamais imaginei que meu post pudesse tomar tamanha proporção… Jamais imaginei mais de 30 mil curtidas e quase 10 mil compartilhamentos… Minha intenção foi mesmo compartilhar a minha perplexidade e tristeza.
 
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