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A Revolução Anarquista Norte-Coreana (1929 – 1932)

Em 1929, agrupados em uma federação, anarquistas foram artífices e protagonistas do processo revolucionário anti-capitalista
A Revolução Anarquista Norte-Coreana (1929 – 1932)
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A Revolução Anarquista Norte-Coreana (1929 – 1932)

INTRODUÇÃO AOS 80 ANOS DA CIDADE DE SHINMIN

 
Em 1929, agrupados em uma federação, anarquistas foram artífices e protagonistas do processo revolucionário anti-capitalista e anti-Estado no norte da península coreana e nordeste da China, mais precisamente na região da Manchúria.
 
Já se passaram mais de 80 anos desta ação inspirada nos ideais e princípios libertários, com base numa práxis revolucionária latente naqueles tempos onde as pessoas se esforçavam para alcançar a liberdade. Perto do final desta tentativa de revolução social, mais precisamente  a 24 de janeiro, Kim Jwa-jin, o comandante,  foi assassinado em uma emboscada, ele, um lutador histórico da guerra colonial coreana de independência e um dos principais incentivadores e apoiadores da Comuna. Depois de seu assassinato os vencedores  -dos lados nacionalistas, que fundaram a Coreia do Sul, e os stalinistas, que fundaram a Coreia do Norte-, não só evitaram escrever e interpretar esses anos desconhecidos para o ocidente, como contornaram a história da Coréia  no que aconteceu na Região Autônoma de Shinmin (ou Chong yi-bu em coreano romanizado):  contornar a experiência de mais de 2 milhões de agricultores autogestionados seria aceitável, mas se apoderaram da figura do referido militar como apenas mais um herói da independência coreana.
 
Curiosamente, a data do assassinato de Kim  Jwa-jin coincidiu com o assassinato do maior expoente do anarquismo japonês, o jornalista Kotoku Shusui, juntamente de outros 11 parceiros em 1911. Kotoku viveu e morreu confrontando abertamente o império e o estado japonês com críticas veementes ao sistema de classes do Japão e incursões coloniais sobre os povos sujeitos do Oriente. As voltas e reviravoltas da história de luta de Kotoku pelos oprimidos inspiraram milhares de militantes chineses, coreanos e japoneses nessa luta incansável contra o Estado, o capitalismo e o colonialismo na região. A Coreia anarquista e sua Comuna não foram uma exceção.
 
Kotoku Shusui
 
OBSERVAÇÕES E AS PERSPECTIVAS DE UM FATO HISTÓRICO
A história escrita
 
Por um lado, queremos refletir o porquê esta experiência revolucionária que durou cerca de três anos – entre 1929 e 1932 – passou despercebida na historiografia da esquerda, apesar de envolver mais de 2 milhões de coreanos. Neste sentido só a historiografia anarquista coreana resgatou este importante capítulo da revolução norte-coreana. Mesmo que o ex-ditador norte-coreano Kim II-sung, em suas “memórias”, tenha mencionado que durante estes anos três facções lutavam pela independência contra os japoneses: o PC coreano, os nacionalistas com o seu governo em Xangai, e uma “terceira facção separatista”. Provavelmente a intenção de Kim II-sung foi de esconder a identidade ideológica do setor organizado. Mas também há a clara intenção de apagar qualquer influência histórica comprovável de que um setor importante da esquerda pode levar a vitória uma experiência revolucionária antes da existência da Coréia do Norte marxista. Além de o líder stalinista atribuir a derrota da Manchúria contra os japoneses, para as brigas entre as facções nacionalistas e “separatistas”, para não mencionar os assassinatos e massacres ordenados pelo Partido Comunista.
 
Os setores nacionalistas que mais tarde fundaram a República da Coreia, instituindo uma ditadura sangrenta, também conseguiram apagar da história a participação ativa e decisiva do anarquismo na luta pela independência contra o Império japonês.
 
Felizmente o trabalho exaustivo de pesquisa e reconstrução histórica nos recuperou parte deste evento histórico de grande valor experimental para a nossa ideologia. Estudos como dos coreanos Ha Ki-rak (“História do movimento anarquista coreano”), Cho Sehyun (“Na Ásia Oriental também …”) ou Hwang Dong-Youn (“Por trás da Independência: A imprensa anarquista coreana…) tem apresentado investigações detalhadas sobre o assunto. Os papers do irlandês Alain MacSimoin da WSM, Jason Adams com seus “Anarquismos não-ocidentais” ou do sul-africano Lucien Van der Walt com “Para uma história do anarquismo anti-imperialista” têm representado uma importante contribuição para o assunto.
 
Na experiência histórica do anarquismo coreano que desencadeado no enclave de Shinmin fermentado a partir do início do século XX, vemos um resultado semelhante a outros processos em que o anarquismo organizado conhecia e poderia apresentar socialmente o seu projeto de revolução.  Em 1917 na Rússia, Ucrânia em 1919 e, 1936 na Espanha observaram-se as derrotas do impulso libertário em termos de autodefesa, contra o nacionalismo reacionário, e na traição e entrega dos partidos marxistas.
 
O contexto e a abrangência
 
Surpreendentemente, quando começamos a investigar e cavar o que estava por trás da história desta comuna revolucionária, a gênese e o auge do anarquismo coreano, e o quanto isso tinha a ver com a independência da Coreia, temos uma grande surpresa sobre a relação direta que existe entre eles. Talvez hoje, podemos dizer que, no momento da independência da Coréia do Império Japonês convergiram três grandes correntes políticas em magnitude organizacional e acumulação de forças, mas apenas uma acabou perdendo ao longo da história. As outras duas acabaram fundando repúblicas, estabelecendo fronteiras e novas ditaduras para controlar de volta um povo que vinha vivendo o absolutismo da ocupação japonesa durante décadas.
 
Como já foi mencionado, o processo de revolução social, que ocorre em Shinmin acontece no meio de uma guerra anti-colonial. No mesmo [processo revolucionário] foram alcançadas grandes propriedades rurais e pequenas cidades. Chegaram a instaurar, não sem inconvenientes, Conselhos de Administração, que substituíram e extinguiram em todos os níveis o Estado. O resultado da experiência também teve a ver com a forma como a história toda começou.
 
Uma revolução libertária “a La” coreana
 
Ao analisar os componentes das façanhas da Comuna podemos perceber no primeiro momento a influência dos anarquistas que retornaram do exílio como um fator que impulsionou as lutas sociais e as disputas políticas sobre o futuro da região. Por um lado, os anarquistas que retornaram de um Japão ou Xangai em processo de industrialização, com um movimento sindical forte e mobilizado irão insistir no caráter das lutas do incipiente movimento operário coreano. Os outros exilados do resto da China iriam propor uma luta anti-colonial, como a inclusão social em áreas rurais para promover as lutas de movimentos dom  campesinato. Esta última era a posição mais preparada que estava na Coreia durante o percorrer da década de 20.
 
Por outro lado, alguns dos fundamentos teóricos do anarquismo coreano esboçados no início do século XX retratam a luta cultural e identitária contra o domínio do colonialismo japonês. Um exemplo disso é o “Manifesto da Revolução Coreana” (Joseon Hyeong-myeong Seoneon), escrito pelo histórico militante anarquista Shin Chae-ho que expõe plenamente o papel revolucionário de um povoado com fortes raízes culturais invadido por um exército invasor.
 
Também destaca o internacionalismo militante no estabelecimento de alianças com o anarquismo japonês, chinês, vietnamita e de Taiwan. Defende-se também fortemente as lutas antiimperialistas incentivando uma guerra social contra o Império japonês, que exercia um sistema de domínio em toda a região, rechaçando as atrocidades cometidas pelo exército invasor.
 
Por fim, o manifesto enfatiza que as forças anarquistas não devem ficar à mercê dos nacionalistas e bolcheviques em um processo revolucionário, a fim de evitar que um Estado seja colocado no lugar novamente. O desenvolvimento desses conceitos veremos mais adiante em mais detalhes.
 
 
RAÍZES E ANTECEDENTES DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO
 
Herança da luta anticolonial
 
Na Coréia, há uma história de revoltas populares antiestatistas, anticoloniais e sistematicamente anticapitalistas com magnitudes que alcançaram todo o país. Nos anos anteriores ao desenvolvimento da Comuna ocorreu um destes. Foi a Revolução Camponesa de Donghak de 1894 ao sul da Coréia que tinha levantado agricultores contra o governo local e contra qualquer monarquia fosse coreana, chinesa ou japonesa. Nessa revolução propunha-se uma igualdade entre todos os homens. A revolta foi esmagada pelo império japonês.
 
Um levante posterior de grandes proporções será o primeiro de março de 1919 como parte de uma proclamação da Independência, que reviveu os movimentos anticoloniais em todo o país. O Movimento da Independência de Samil (como foram conhecidas as primeiras manifestações de 19 de Março), que contou com a participação de inúmeras organizações anarquistas, foi brutalmente reprimido pelo exército de ocupação japonesa. O saldo foi de 7.500 mortos e 16.000 feridos durante a intentona revolucionária. Um dos ativistas do movimento foi Jeong-Wha-am que mais tarde fundaria com outros a Federação Anarquista.
 
Este evento foi um marco na história da luta pela independência da Coreia, uma vez que conseguiu fortalecer o sentimento de identidade do povo coreano. Aproveitando-se desta situação, um grupo de coreanos nacionalistas estabeleceu um governo provisório, em Xangai, na China.
 
Também nos meados dos anos 1920, fruto das lutas do ano 1919, deu-se o estopim para o início de uma luta em todas as frentes a partir de vários grupos políticos e sociais que procuravam deter a invasão do exército japonês na Manchúria. Em 1925, o império japonês lança a “Lei de Preservação da Paz”, que proibia a existência de qualquer organização que alteraria a (o) Kokutai (o regime do nacionalismo japonês). Entre os setores proibidos encontravam-se os anarquistas, que eram em sua maioria militantes de lutas operárias, estudantis, camponesas e culturais em toda a Coréia.
 
Influências libertárias na região
 
O contexto regional do Sudeste da Ásia ofereceu uma grande influência para que os anarquistas coreanos se aprofundassem nos níveis de organização e projeto revolucionários. Ademais pode-se concluir que os perseguidos políticos libertários da Coreia puderam também absorver [níveis de organização e projetos revolucionários], a partir de seus exílios na China e no Japão, das lutas sociais (sindicalistas, camponesas e estudantis) e políticas que estão sendo realizadas. Como veremos adiante, muito do que iria acontecer durante a década de 20 ‘na Coréia para níveis de agitação social e impulso político revolucionário tinha a ver com o retorno dos exilados impregnados com intenções de agitação. Baek Jeong-gi (1896-1934), um experiente militante do movimento anarquista foi um exemplo. “Gupa”, como era conhecido no jargão militante, encontrava-se em  1925 exilado na China e somava-se com a União Anarquista em Xangai. Em julho do mesmo ano começaram as ondas de greves gerais movimento operário em Xangai e Baek Jeong-gi estava militando entre os metalúrgicos filiados a seu sindicato. As massivas greves gerais na China, com a participação da militância anarquista (União Anarquista Chinesa), greves operárias no Japão, a abertura da Universidade Nacional de Trabalhadores em Xangai em 1928 impulsionada pelo movimento anarquista chinês, o Movimento de Auto-Defesa das Comunidades Rurais de Quanzhou na China em 1927-1928, e a criação da Seção de Pequim da Aliança da Juventude Negra foram um terreno fértil para o processo de desenvolvimento que faria anarquismo coreano naquela época.
 
Exilados no Japão por volta de 1922 Park Yeol, Jeong Tae-sung, Kim Chung-han, Hong Jin-yu, Choi Kyu-jong, Yuk Hong-kyun, Seo Dong-seong, Jang Sang-jung, Ha Sae-myeong, Hang Hyeon-sang,  Seo Sang-kyeong e outros conseguem construir a organização Futeishya (Revolta) com militantes anarquistas japoneses de renome como Noguchi Hinji, Kurihara Krzuo, Ogawa Shigeru, Kaneko Fumiko e Niyiama Shodai entre outros.
 
O trabalho internacionalista dos anarquistas coreanos também dá um impulso significativo para a criação de uma Federação Anarquista do Leste (Tung-fang, Wu Cheng-fu, Chu-i-che, Lien-Meng) com organizações-membro da China, Vietnã, Taiwan, Japão, Filipinas, Índia e Coréia, obviamente. A Federação Anarquista do Leste, que em 1928 disseminava o jornal “Dong Bang” (O Oriente), aprovava como base teórica própria o “Manifesto da Revolução Coreana” e teve Kim Jong-jin, uma referência do anarquismo coreano entre os seus militantes mais ativos. Um dos slogans da Federação do Leste foi “unir o proletariado de todo o mundo e, sobretudo das colônias orientais para derrotar o capitalismo internacional e imperialista”.
 
Anarquismo Coreano
 
Desde o início do século XX as idéias anarquistas eram permeáveis em todas as esferas sociais da Coréia. A participação no Movimento Primeiro de Março não foi exceção. Como referido no início deste trabalho, os anarquistas coreanos entendiam muito bem o que se passava em um contexto de opressão em que o império japonês, com seus exércitos, tentavam controlar completamente a vida da sociedade coreana e que a própria burguesia local ansiava a independência para alavancar-se em classe dirigente. Entretanto influenciados pelo que estava acontecendo na região, os anarquistas coreanos começaram a criar e desenvolver organizações sociais e políticas, a fim de gerar projeto revolucionário aproveitando essa resistência ao regime imperial.
 
Por sua vez, a meados de 1920 e resultante da unidade organizacional dos anarquistas, foi aumentando o número de exilados, assassinatos e prisõs de militantes libertários através da perseguição do exército japonês e da sua polícia política [secreta]. Em outubro de 1925 na província de Kiho o jornal “Dong-a Ilbo” informou sobre a prisão de uma dezena de ativistas da Liga Bandeira Negra. A LBN tinha sido fundado um ano antes pelos exilados no Japão, que militavam no grupo Futeishya junto a Parque Yeol. Entre os detidos da LBN se encontravam Hong Jin-yu, Seo Sang-kyeong, Shin Young-woo, Seo Jeong-sup, Han Byeong-hee, Lee Bok-won, Seo Cheoung-sun, Lee Chang-sik, Kawk Cheol e Lee Ki-yong.
 
No ano seguinte, o mesmo jornal noticiou a prisão de cinco jovens trabalhadores que divulgavam um manifesto muito semelhante ao desenvolvido por Shin Chae-ho.
 
Também em 1925, em Taegu, muitos anarquistas que retornavam do exílio no Japão formam organizações como a Liga da Verdade e da Fraternidade. A mesma, junto com outros grupos, como a Liga dos Revolucionários, começam a se articular organizativamente com a Sociedade da Juventude Negra de Tóquio. Em Anui, Mesan, formam-se a Liga da Amizade Negra de Changwon e o grupo de Apoio Mútuo da ilha de Jeju. Este grupo chegou a organizar cooperativas de artesãos e camponeses. De imediato muitos destes grupos foram infiltrados e seus militantes presos.
 
Para ver a extensão organizativa do anarquismo devemos destacar que em 1929 “Dong-a Ilbo” traz à tona a existência de um grupo clandestino de anarquistas entre eles se encontrava Lee Eun-song. A mesma contava com cem militantes organizados somente em Icheon, província Kwangwon. Para o mesmo ano, passou a ser conhecido que todos os membros do Movimento da Sociedade dos Artistas de Chanju eram anarquistas.
 
Inspirados principalmente por Mikhail Bakunin e Peter Kropotkin, toda uma geração de ativistas libertários coreanos tiveram uma influência e papel no que se tornaria inevitável até o fim da década, e que desaguaria na experiência ao norte, na Manchúria. Yu Ja-myeong (1891-1985), o já mencionado Shin Chae-ho (1880-1936), Hwae-young Lee (1867-1932), Lee Eul-kyu, Lee Jeong-kyu, Jeong Wha-am (1896 – 1981) e Jeung-ki Paik são alguns dos articuladores do processo de federação [organização federalista] dos núcleos anarquistas regionais. Suas produções teóricas, mas, principalmente, seus ímpetos por organizar o anarquismo no país os converteram nos principais orientadores para os militantes anarquistas . Como já mencionado, Shin Chae-ho de clara orientação bakuninista, entre outros textos, desenvolveu o “Manifesto da Revolução Coreana” em 1924. Esta consistia em programa de análise e ação anarquista no contexto de uma guerra de independência.
 
O programa inclui a participação ativa do anarquismo na luta anticolonialista contra o Império japonês, ao mesmo tempo em que desenvolve e aprofunda a luta contra a classe exploradora e dominante na Coréia. Neste sentido, o Manifesto foca-se em diferenciar uma revolução política de uma revolução social. Segundo o manifesto, uma revolução política somente muda o poder de mãos. “A última revolução foi uma revolução em que as pessoas continuavam a ser governados como antes, apesar de o poder de” A “ter sido transferido para a força de” B “pela chamada revolução, pois as pessoas eram escravas do Estado e dominada pelo poder da classe privilegiada que manteve o controle sobre o povo”.
 
Então, à frente de seu tempo, o manifesto enfatizou a realização de uma “revolução do povo” ou “revolução direta” feita pela gente para a gente mesma. No Manifesto os pobres e os soldados deveriam mudar estruturalmente a sociedade com a sua “firme determinação e seu próprio poder.” Falar de poder no anarquismo sempre foi uma coisa controversa, no entanto, para este tempo, é óbvio que os libertários coreanos estão falando de um “auto-poder”[poder próprio] das classes oprimidas. Neste ponto, o Manifesto trata de estabelecer a diferença entre base e conceitos no que se faz uma revolução e derruba qualquer abordagem de “nação”, reafirmando o conceito de “povo” e que “as pessoas não são tangíveis e nação não”.
 
Este escrito incitava ao anarquismo coreano à rebelar-se em armas para conseguir a liberdade serviu como base para a fundação em 1924 da Federação Anarquista Coreano (ou Hangug-eo Anakiseuteu Yeon-maeng coreano romanizado). Esta Federação foi formada por núcleos militantes anarquistas e se encontrava quase totalmente na clandestinidade por causa da perseguição do exército japonês. Em todas as regiões e províncias da Coreia haviam núcleos organizados da Federação. Os mais importantes foram em Seul, Taegu, Pyongyang, Icheon, bem como na Manchúria e entre os exilados na China e no Japão.
 
O trabalho dos militantes era produzir propaganda e jornais [prensa]  sobre a tendência e os diferentes âmbitos de organização. Vale destacar os jornais “Recapturar” (Talhwan), “A Conquista” (Jeong Bo) e “Boletim da Justiça”.
 
No entanto, a Federação sempre teve uma forte tendência para a ação social acima de todas as coisas. É assim que dedica a promover sindicatos, camponeses, estudantes e organizar a resistência à ocupação japonesa em células de autodefesa.
 
Em novembro de 1929, a Federação mudou seu nome para Federação Anarquista-Comunista da Coréia do FACK-(Jo-sun-san Gong Mu-jung-bu-eu-ja Ju-Yeon Maeng). É nessa mesma época e sob a influência de Kim Jong-jin que a FACK decide destinar mais recursos para alimentar uma revolução na Coréia do Norte e sul da Manchúria.

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INTRODUÇÃO AOS 80 ANOS DA CIDADE DE SHINMIN

 
Em 1929, agrupados em uma federação, anarquistas foram artífices e protagonistas do processo revolucionário anti-capitalista e anti-Estado no norte da península coreana e nordeste da China, mais precisamente na região da Manchúria.
 
Já se passaram mais de 80 anos desta ação inspirada nos ideais e princípios libertários, com base numa práxis revolucionária latente naqueles tempos onde as pessoas se esforçavam para alcançar a liberdade. Perto do final desta tentativa de revolução social, mais precisamente  a 24 de janeiro, Kim Jwa-jin, o comandante,  foi assassinado em uma emboscada, ele, um lutador histórico da guerra colonial coreana de independência e um dos principais incentivadores e apoiadores da Comuna. Depois de seu assassinato os vencedores  -dos lados nacionalistas, que fundaram a Coreia do Sul, e os stalinistas, que fundaram a Coreia do Norte-, não só evitaram escrever e interpretar esses anos desconhecidos para o ocidente, como contornaram a história da Coréia  no que aconteceu na Região Autônoma de Shinmin (ou Chong yi-bu em coreano romanizado):  contornar a experiência de mais de 2 milhões de agricultores autogestionados seria aceitável, mas se apoderaram da figura do referido militar como apenas mais um herói da independência coreana.
 
Curiosamente, a data do assassinato de Kim  Jwa-jin coincidiu com o assassinato do maior expoente do anarquismo japonês, o jornalista Kotoku Shusui, juntamente de outros 11 parceiros em 1911. Kotoku viveu e morreu confrontando abertamente o império e o estado japonês com críticas veementes ao sistema de classes do Japão e incursões coloniais sobre os povos sujeitos do Oriente. As voltas e reviravoltas da história de luta de Kotoku pelos oprimidos inspiraram milhares de militantes chineses, coreanos e japoneses nessa luta incansável contra o Estado, o capitalismo e o colonialismo na região. A Coreia anarquista e sua Comuna não foram uma exceção.
 
Kotoku Shusui
 
OBSERVAÇÕES E AS PERSPECTIVAS DE UM FATO HISTÓRICO
A história escrita
 
Por um lado, queremos refletir o porquê esta experiência revolucionária que durou cerca de três anos – entre 1929 e 1932 – passou despercebida na historiografia da esquerda, apesar de envolver mais de 2 milhões de coreanos. Neste sentido só a historiografia anarquista coreana resgatou este importante capítulo da revolução norte-coreana. Mesmo que o ex-ditador norte-coreano Kim II-sung, em suas “memórias”, tenha mencionado que durante estes anos três facções lutavam pela independência contra os japoneses: o PC coreano, os nacionalistas com o seu governo em Xangai, e uma “terceira facção separatista”. Provavelmente a intenção de Kim II-sung foi de esconder a identidade ideológica do setor organizado. Mas também há a clara intenção de apagar qualquer influência histórica comprovável de que um setor importante da esquerda pode levar a vitória uma experiência revolucionária antes da existência da Coréia do Norte marxista. Além de o líder stalinista atribuir a derrota da Manchúria contra os japoneses, para as brigas entre as facções nacionalistas e “separatistas”, para não mencionar os assassinatos e massacres ordenados pelo Partido Comunista.
 
Os setores nacionalistas que mais tarde fundaram a República da Coreia, instituindo uma ditadura sangrenta, também conseguiram apagar da história a participação ativa e decisiva do anarquismo na luta pela independência contra o Império japonês.
 
Felizmente o trabalho exaustivo de pesquisa e reconstrução histórica nos recuperou parte deste evento histórico de grande valor experimental para a nossa ideologia. Estudos como dos coreanos Ha Ki-rak (“História do movimento anarquista coreano”), Cho Sehyun (“Na Ásia Oriental também …”) ou Hwang Dong-Youn (“Por trás da Independência: A imprensa anarquista coreana…) tem apresentado investigações detalhadas sobre o assunto. Os papers do irlandês Alain MacSimoin da WSM, Jason Adams com seus “Anarquismos não-ocidentais” ou do sul-africano Lucien Van der Walt com “Para uma história do anarquismo anti-imperialista” têm representado uma importante contribuição para o assunto.
 
Na experiência histórica do anarquismo coreano que desencadeado no enclave de Shinmin fermentado a partir do início do século XX, vemos um resultado semelhante a outros processos em que o anarquismo organizado conhecia e poderia apresentar socialmente o seu projeto de revolução.  Em 1917 na Rússia, Ucrânia em 1919 e, 1936 na Espanha observaram-se as derrotas do impulso libertário em termos de autodefesa, contra o nacionalismo reacionário, e na traição e entrega dos partidos marxistas.
 
O contexto e a abrangência
 
Surpreendentemente, quando começamos a investigar e cavar o que estava por trás da história desta comuna revolucionária, a gênese e o auge do anarquismo coreano, e o quanto isso tinha a ver com a independência da Coreia, temos uma grande surpresa sobre a relação direta que existe entre eles. Talvez hoje, podemos dizer que, no momento da independência da Coréia do Império Japonês convergiram três grandes correntes políticas em magnitude organizacional e acumulação de forças, mas apenas uma acabou perdendo ao longo da história. As outras duas acabaram fundando repúblicas, estabelecendo fronteiras e novas ditaduras para controlar de volta um povo que vinha vivendo o absolutismo da ocupação japonesa durante décadas.
 
Como já foi mencionado, o processo de revolução social, que ocorre em Shinmin acontece no meio de uma guerra anti-colonial. No mesmo [processo revolucionário] foram alcançadas grandes propriedades rurais e pequenas cidades. Chegaram a instaurar, não sem inconvenientes, Conselhos de Administração, que substituíram e extinguiram em todos os níveis o Estado. O resultado da experiência também teve a ver com a forma como a história toda começou.
 
Uma revolução libertária “a La” coreana
 
Ao analisar os componentes das façanhas da Comuna podemos perceber no primeiro momento a influência dos anarquistas que retornaram do exílio como um fator que impulsionou as lutas sociais e as disputas políticas sobre o futuro da região. Por um lado, os anarquistas que retornaram de um Japão ou Xangai em processo de industrialização, com um movimento sindical forte e mobilizado irão insistir no caráter das lutas do incipiente movimento operário coreano. Os outros exilados do resto da China iriam propor uma luta anti-colonial, como a inclusão social em áreas rurais para promover as lutas de movimentos dom  campesinato. Esta última era a posição mais preparada que estava na Coreia durante o percorrer da década de 20.
 
Por outro lado, alguns dos fundamentos teóricos do anarquismo coreano esboçados no início do século XX retratam a luta cultural e identitária contra o domínio do colonialismo japonês. Um exemplo disso é o “Manifesto da Revolução Coreana” (Joseon Hyeong-myeong Seoneon), escrito pelo histórico militante anarquista Shin Chae-ho que expõe plenamente o papel revolucionário de um povoado com fortes raízes culturais invadido por um exército invasor.
 
Também destaca o internacionalismo militante no estabelecimento de alianças com o anarquismo japonês, chinês, vietnamita e de Taiwan. Defende-se também fortemente as lutas antiimperialistas incentivando uma guerra social contra o Império japonês, que exercia um sistema de domínio em toda a região, rechaçando as atrocidades cometidas pelo exército invasor.
 
Por fim, o manifesto enfatiza que as forças anarquistas não devem ficar à mercê dos nacionalistas e bolcheviques em um processo revolucionário, a fim de evitar que um Estado seja colocado no lugar novamente. O desenvolvimento desses conceitos veremos mais adiante em mais detalhes.
 
 
RAÍZES E ANTECEDENTES DO PROCESSO REVOLUCIONÁRIO
 
Herança da luta anticolonial
 
Na Coréia, há uma história de revoltas populares antiestatistas, anticoloniais e sistematicamente anticapitalistas com magnitudes que alcançaram todo o país. Nos anos anteriores ao desenvolvimento da Comuna ocorreu um destes. Foi a Revolução Camponesa de Donghak de 1894 ao sul da Coréia que tinha levantado agricultores contra o governo local e contra qualquer monarquia fosse coreana, chinesa ou japonesa. Nessa revolução propunha-se uma igualdade entre todos os homens. A revolta foi esmagada pelo império japonês.
 
Um levante posterior de grandes proporções será o primeiro de março de 1919 como parte de uma proclamação da Independência, que reviveu os movimentos anticoloniais em todo o país. O Movimento da Independência de Samil (como foram conhecidas as primeiras manifestações de 19 de Março), que contou com a participação de inúmeras organizações anarquistas, foi brutalmente reprimido pelo exército de ocupação japonesa. O saldo foi de 7.500 mortos e 16.000 feridos durante a intentona revolucionária. Um dos ativistas do movimento foi Jeong-Wha-am que mais tarde fundaria com outros a Federação Anarquista.
 
Este evento foi um marco na história da luta pela independência da Coreia, uma vez que conseguiu fortalecer o sentimento de identidade do povo coreano. Aproveitando-se desta situação, um grupo de coreanos nacionalistas estabeleceu um governo provisório, em Xangai, na China.
 
Também nos meados dos anos 1920, fruto das lutas do ano 1919, deu-se o estopim para o início de uma luta em todas as frentes a partir de vários grupos políticos e sociais que procuravam deter a invasão do exército japonês na Manchúria. Em 1925, o império japonês lança a “Lei de Preservação da Paz”, que proibia a existência de qualquer organização que alteraria a (o) Kokutai (o regime do nacionalismo japonês). Entre os setores proibidos encontravam-se os anarquistas, que eram em sua maioria militantes de lutas operárias, estudantis, camponesas e culturais em toda a Coréia.
 
Influências libertárias na região
 
O contexto regional do Sudeste da Ásia ofereceu uma grande influência para que os anarquistas coreanos se aprofundassem nos níveis de organização e projeto revolucionários. Ademais pode-se concluir que os perseguidos políticos libertários da Coreia puderam também absorver [níveis de organização e projetos revolucionários], a partir de seus exílios na China e no Japão, das lutas sociais (sindicalistas, camponesas e estudantis) e políticas que estão sendo realizadas. Como veremos adiante, muito do que iria acontecer durante a década de 20 ‘na Coréia para níveis de agitação social e impulso político revolucionário tinha a ver com o retorno dos exilados impregnados com intenções de agitação. Baek Jeong-gi (1896-1934), um experiente militante do movimento anarquista foi um exemplo. “Gupa”, como era conhecido no jargão militante, encontrava-se em  1925 exilado na China e somava-se com a União Anarquista em Xangai. Em julho do mesmo ano começaram as ondas de greves gerais movimento operário em Xangai e Baek Jeong-gi estava militando entre os metalúrgicos filiados a seu sindicato. As massivas greves gerais na China, com a participação da militância anarquista (União Anarquista Chinesa), greves operárias no Japão, a abertura da Universidade Nacional de Trabalhadores em Xangai em 1928 impulsionada pelo movimento anarquista chinês, o Movimento de Auto-Defesa das Comunidades Rurais de Quanzhou na China em 1927-1928, e a criação da Seção de Pequim da Aliança da Juventude Negra foram um terreno fértil para o processo de desenvolvimento que faria anarquismo coreano naquela época.
 
Exilados no Japão por volta de 1922 Park Yeol, Jeong Tae-sung, Kim Chung-han, Hong Jin-yu, Choi Kyu-jong, Yuk Hong-kyun, Seo Dong-seong, Jang Sang-jung, Ha Sae-myeong, Hang Hyeon-sang,  Seo Sang-kyeong e outros conseguem construir a organização Futeishya (Revolta) com militantes anarquistas japoneses de renome como Noguchi Hinji, Kurihara Krzuo, Ogawa Shigeru, Kaneko Fumiko e Niyiama Shodai entre outros.
 
O trabalho internacionalista dos anarquistas coreanos também dá um impulso significativo para a criação de uma Federação Anarquista do Leste (Tung-fang, Wu Cheng-fu, Chu-i-che, Lien-Meng) com organizações-membro da China, Vietnã, Taiwan, Japão, Filipinas, Índia e Coréia, obviamente. A Federação Anarquista do Leste, que em 1928 disseminava o jornal “Dong Bang” (O Oriente), aprovava como base teórica própria o “Manifesto da Revolução Coreana” e teve Kim Jong-jin, uma referência do anarquismo coreano entre os seus militantes mais ativos. Um dos slogans da Federação do Leste foi “unir o proletariado de todo o mundo e, sobretudo das colônias orientais para derrotar o capitalismo internacional e imperialista”.
 
Anarquismo Coreano
 
Desde o início do século XX as idéias anarquistas eram permeáveis em todas as esferas sociais da Coréia. A participação no Movimento Primeiro de Março não foi exceção. Como referido no início deste trabalho, os anarquistas coreanos entendiam muito bem o que se passava em um contexto de opressão em que o império japonês, com seus exércitos, tentavam controlar completamente a vida da sociedade coreana e que a própria burguesia local ansiava a independência para alavancar-se em classe dirigente. Entretanto influenciados pelo que estava acontecendo na região, os anarquistas coreanos começaram a criar e desenvolver organizações sociais e políticas, a fim de gerar projeto revolucionário aproveitando essa resistência ao regime imperial.
 
Por sua vez, a meados de 1920 e resultante da unidade organizacional dos anarquistas, foi aumentando o número de exilados, assassinatos e prisõs de militantes libertários através da perseguição do exército japonês e da sua polícia política [secreta]. Em outubro de 1925 na província de Kiho o jornal “Dong-a Ilbo” informou sobre a prisão de uma dezena de ativistas da Liga Bandeira Negra. A LBN tinha sido fundado um ano antes pelos exilados no Japão, que militavam no grupo Futeishya junto a Parque Yeol. Entre os detidos da LBN se encontravam Hong Jin-yu, Seo Sang-kyeong, Shin Young-woo, Seo Jeong-sup, Han Byeong-hee, Lee Bok-won, Seo Cheoung-sun, Lee Chang-sik, Kawk Cheol e Lee Ki-yong.
 
No ano seguinte, o mesmo jornal noticiou a prisão de cinco jovens trabalhadores que divulgavam um manifesto muito semelhante ao desenvolvido por Shin Chae-ho.
 
Também em 1925, em Taegu, muitos anarquistas que retornavam do exílio no Japão formam organizações como a Liga da Verdade e da Fraternidade. A mesma, junto com outros grupos, como a Liga dos Revolucionários, começam a se articular organizativamente com a Sociedade da Juventude Negra de Tóquio. Em Anui, Mesan, formam-se a Liga da Amizade Negra de Changwon e o grupo de Apoio Mútuo da ilha de Jeju. Este grupo chegou a organizar cooperativas de artesãos e camponeses. De imediato muitos destes grupos foram infiltrados e seus militantes presos.
 
Para ver a extensão organizativa do anarquismo devemos destacar que em 1929 “Dong-a Ilbo” traz à tona a existência de um grupo clandestino de anarquistas entre eles se encontrava Lee Eun-song. A mesma contava com cem militantes organizados somente em Icheon, província Kwangwon. Para o mesmo ano, passou a ser conhecido que todos os membros do Movimento da Sociedade dos Artistas de Chanju eram anarquistas.
 
Inspirados principalmente por Mikhail Bakunin e Peter Kropotkin, toda uma geração de ativistas libertários coreanos tiveram uma influência e papel no que se tornaria inevitável até o fim da década, e que desaguaria na experiência ao norte, na Manchúria. Yu Ja-myeong (1891-1985), o já mencionado Shin Chae-ho (1880-1936), Hwae-young Lee (1867-1932), Lee Eul-kyu, Lee Jeong-kyu, Jeong Wha-am (1896 – 1981) e Jeung-ki Paik são alguns dos articuladores do processo de federação [organização federalista] dos núcleos anarquistas regionais. Suas produções teóricas, mas, principalmente, seus ímpetos por organizar o anarquismo no país os converteram nos principais orientadores para os militantes anarquistas . Como já mencionado, Shin Chae-ho de clara orientação bakuninista, entre outros textos, desenvolveu o “Manifesto da Revolução Coreana” em 1924. Esta consistia em programa de análise e ação anarquista no contexto de uma guerra de independência.
 
O programa inclui a participação ativa do anarquismo na luta anticolonialista contra o Império japonês, ao mesmo tempo em que desenvolve e aprofunda a luta contra a classe exploradora e dominante na Coréia. Neste sentido, o Manifesto foca-se em diferenciar uma revolução política de uma revolução social. Segundo o manifesto, uma revolução política somente muda o poder de mãos. “A última revolução foi uma revolução em que as pessoas continuavam a ser governados como antes, apesar de o poder de” A “ter sido transferido para a força de” B “pela chamada revolução, pois as pessoas eram escravas do Estado e dominada pelo poder da classe privilegiada que manteve o controle sobre o povo”.
 
Então, à frente de seu tempo, o manifesto enfatizou a realização de uma “revolução do povo” ou “revolução direta” feita pela gente para a gente mesma. No Manifesto os pobres e os soldados deveriam mudar estruturalmente a sociedade com a sua “firme determinação e seu próprio poder.” Falar de poder no anarquismo sempre foi uma coisa controversa, no entanto, para este tempo, é óbvio que os libertários coreanos estão falando de um “auto-poder”[poder próprio] das classes oprimidas. Neste ponto, o Manifesto trata de estabelecer a diferença entre base e conceitos no que se faz uma revolução e derruba qualquer abordagem de “nação”, reafirmando o conceito de “povo” e que “as pessoas não são tangíveis e nação não”.
 
Este escrito incitava ao anarquismo coreano à rebelar-se em armas para conseguir a liberdade serviu como base para a fundação em 1924 da Federação Anarquista Coreano (ou Hangug-eo Anakiseuteu Yeon-maeng coreano romanizado). Esta Federação foi formada por núcleos militantes anarquistas e se encontrava quase totalmente na clandestinidade por causa da perseguição do exército japonês. Em todas as regiões e províncias da Coreia haviam núcleos organizados da Federação. Os mais importantes foram em Seul, Taegu, Pyongyang, Icheon, bem como na Manchúria e entre os exilados na China e no Japão.
 
O trabalho dos militantes era produzir propaganda e jornais [prensa]  sobre a tendência e os diferentes âmbitos de organização. Vale destacar os jornais “Recapturar” (Talhwan), “A Conquista” (Jeong Bo) e “Boletim da Justiça”.
 
No entanto, a Federação sempre teve uma forte tendência para a ação social acima de todas as coisas. É assim que dedica a promover sindicatos, camponeses, estudantes e organizar a resistência à ocupação japonesa em células de autodefesa.
 
Em novembro de 1929, a Federação mudou seu nome para Federação Anarquista-Comunista da Coréia do FACK-(Jo-sun-san Gong Mu-jung-bu-eu-ja Ju-Yeon Maeng). É nessa mesma época e sob a influência de Kim Jong-jin que a FACK decide destinar mais recursos para alimentar uma revolução na Coréia do Norte e sul da Manchúria.

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