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A filha de escravizados que ficou milionária e agora inspira série da Netflix

Foi um problema comum a muitas mulheres na virada do século passado que mudou a vida da lavadeira americana Sarah Breedlove
A filha de escravizados que ficou milionária e agora inspira série da Netflix
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A filha de escravizados que ficou milionária e agora inspira série da Netflix

Por Alessandra Corrêa - De Winston-Salem (EUA) para a BBC News Brasil

Foi um problema comum a muitas mulheres na virada do século passado que mudou a vida da lavadeira americana Sarah Breedlove: seu cabelo começou a cair. Determinada a encontrar uma solução, ela passou a experimentar várias fórmulas de produtos, tratamentos e métodos de lavagem.

O sucesso da empreitada não apenas recuperou a saúde de seus cabelos, mas foi o início do que se tornaria um império da indústria de cosméticos. Breedlove, que passou a se chamar Madam C. J. Walker, é considerada a primeira mulher negra milionária dos Estados Unidos — e a primeira mulher a virar milionária por conta própria.

A história improvável da filha de escravos libertos que se tornou uma das mulheres mais influentes de sua época foi contada na biografia On Her Own Ground, escrita por sua trineta, A'Lelia Bundles. O livro inspirou a série A Vida e a História de Madam C. J. Walker, que estreou nesta sexta-feira (20/3) na Netflix, com Octavia Spencer no papel de Walker.

Walker não apenas revolucionou o setor de beleza para mulheres negras, mas também se destacou pela filantropia e pelo ativismo, em uma época em que grande parte dos Estados Unidos vivia sob rígidas leis de segregação racial.

Segundo Joanne Hyppolite, uma das curadoras do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington, além de oferecer treinamento a centenas de mulheres negras que trabalhavam como cabeleireiras e vendedoras de seus produtos, Walker e outras empresárias negras pioneiras da época criaram oportunidades de educação e independência econômica para milhares de outras mulheres, que se tornaram gerentes ou proprietárias de seus próprios salões de beleza

"O alcance de seus produtos e programas de treinamento também foi internacional e teve impacto em mulheres negras ao redor do mundo", diz Hyppolite à BBC News Brasil.

"Com maior oportunidade econômica, essas mulheres, por sua vez, puderam oferecer melhor educação para seus filhos e cobrir outras necessidades, como saúde para suas famílias e membros de suas comunidades. Isso teve uma correlação direta com o crescimento da classe média negra."

Pobreza, casamentos e sonho

Quando Walker nasceu, em 1867, seus pais eram escravos emancipados que trabalhavam em uma plantação no Estado da Louisiana. A Guerra Civil, que culminou com a abolição da escravidão nos Estados Unidos, havia terminado apenas dois anos antes.

Ainda criança, ela também já trabalhava na mesma plantação de algodão. Aos sete anos de idade, órfã de pai e mãe, foi morar com a irmã e o cunhado. Casou-se aos 14, teve uma filha, A'Lelia, aos 17, e ficou viúva aos 20.

Ela então se mudou com a filha pequena para St. Louis, no Estado de Missouri, onde trabalhava como lavadeira e cozinheira, ganhando US$ 1,50 (R$ 7,60) por dia. O segundo casamento acabou em divórcio. Nessa época, seu cabelo começou a cair.

Segundo Bundles, sua trineta, muitos americanos não tinham acesso a água corrente ou eletricidade na virada do século passado e, por isso, lavavam o cabelo com menos frequência, o que danificava o couro cabeludo e muitas vezes levava à queda dos cabelos.

Em 1904, Walker descobriu um produto para fazer os cabelos crescerem inventado por outra pioneira da indústria cosmética para mulheres negras, Annie Turnbo Malone. Ela logo passou a trabalhar como vendedora dos produtos de Turnbo e mudou-se para Denver, onde se casou com o terceiro marido, Charles Joseph Walker.

Em uma época em que a população branca costumava se referir a mulheres negras como "tia", Walker passou a se identificar como Madam C.J. Walker, usando a palavra "madame" e as iniciais e sobrenome do marido, para denotar respeito.

Walker diria depois que, nessa época, sonhou com uma fórmula para tratar os cabelos. Ela investiu US$ 1,25 (R$ 6,30) e começou o seu próprio negócio, vendendo seu produto de porta em porta, em igrejas e clubes, para mulheres negras, um mercado que na época costumava ser ignorado pela indústria de beleza.

Império

O chamado "Sistema Walker", que incluía um tratamento com diversos produtos para o cabelo crescer e ficar macio, logo se tornou um sucesso em todo o país, impulsionado por anúncios em jornais destinados ao público negro, encomendas por correio e franquias.

Novos produtos foram sendo lançados, e os anúncios — e também as embalagens — mostravam a própria Walker, com cabelos volumosos e saudáveis.

 

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Foi um problema comum a muitas mulheres na virada do século passado que mudou a vida da lavadeira americana Sarah Breedlove: seu cabelo começou a cair. Determinada a encontrar uma solução, ela passou a experimentar várias fórmulas de produtos, tratamentos e métodos de lavagem.

O sucesso da empreitada não apenas recuperou a saúde de seus cabelos, mas foi o início do que se tornaria um império da indústria de cosméticos. Breedlove, que passou a se chamar Madam C. J. Walker, é considerada a primeira mulher negra milionária dos Estados Unidos — e a primeira mulher a virar milionária por conta própria.

A história improvável da filha de escravos libertos que se tornou uma das mulheres mais influentes de sua época foi contada na biografia On Her Own Ground, escrita por sua trineta, A'Lelia Bundles. O livro inspirou a série A Vida e a História de Madam C. J. Walker, que estreou nesta sexta-feira (20/3) na Netflix, com Octavia Spencer no papel de Walker.

Walker não apenas revolucionou o setor de beleza para mulheres negras, mas também se destacou pela filantropia e pelo ativismo, em uma época em que grande parte dos Estados Unidos vivia sob rígidas leis de segregação racial.

Segundo Joanne Hyppolite, uma das curadoras do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington, além de oferecer treinamento a centenas de mulheres negras que trabalhavam como cabeleireiras e vendedoras de seus produtos, Walker e outras empresárias negras pioneiras da época criaram oportunidades de educação e independência econômica para milhares de outras mulheres, que se tornaram gerentes ou proprietárias de seus próprios salões de beleza

"O alcance de seus produtos e programas de treinamento também foi internacional e teve impacto em mulheres negras ao redor do mundo", diz Hyppolite à BBC News Brasil.

"Com maior oportunidade econômica, essas mulheres, por sua vez, puderam oferecer melhor educação para seus filhos e cobrir outras necessidades, como saúde para suas famílias e membros de suas comunidades. Isso teve uma correlação direta com o crescimento da classe média negra."

Pobreza, casamentos e sonho

Quando Walker nasceu, em 1867, seus pais eram escravos emancipados que trabalhavam em uma plantação no Estado da Louisiana. A Guerra Civil, que culminou com a abolição da escravidão nos Estados Unidos, havia terminado apenas dois anos antes.

Ainda criança, ela também já trabalhava na mesma plantação de algodão. Aos sete anos de idade, órfã de pai e mãe, foi morar com a irmã e o cunhado. Casou-se aos 14, teve uma filha, A'Lelia, aos 17, e ficou viúva aos 20.

Ela então se mudou com a filha pequena para St. Louis, no Estado de Missouri, onde trabalhava como lavadeira e cozinheira, ganhando US$ 1,50 (R$ 7,60) por dia. O segundo casamento acabou em divórcio. Nessa época, seu cabelo começou a cair.

Segundo Bundles, sua trineta, muitos americanos não tinham acesso a água corrente ou eletricidade na virada do século passado e, por isso, lavavam o cabelo com menos frequência, o que danificava o couro cabeludo e muitas vezes levava à queda dos cabelos.

Em 1904, Walker descobriu um produto para fazer os cabelos crescerem inventado por outra pioneira da indústria cosmética para mulheres negras, Annie Turnbo Malone. Ela logo passou a trabalhar como vendedora dos produtos de Turnbo e mudou-se para Denver, onde se casou com o terceiro marido, Charles Joseph Walker.

Em uma época em que a população branca costumava se referir a mulheres negras como "tia", Walker passou a se identificar como Madam C.J. Walker, usando a palavra "madame" e as iniciais e sobrenome do marido, para denotar respeito.

Walker diria depois que, nessa época, sonhou com uma fórmula para tratar os cabelos. Ela investiu US$ 1,25 (R$ 6,30) e começou o seu próprio negócio, vendendo seu produto de porta em porta, em igrejas e clubes, para mulheres negras, um mercado que na época costumava ser ignorado pela indústria de beleza.

Império

O chamado "Sistema Walker", que incluía um tratamento com diversos produtos para o cabelo crescer e ficar macio, logo se tornou um sucesso em todo o país, impulsionado por anúncios em jornais destinados ao público negro, encomendas por correio e franquias.

Novos produtos foram sendo lançados, e os anúncios — e também as embalagens — mostravam a própria Walker, com cabelos volumosos e saudáveis.

 

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