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A bola está com elas

Exposição, em SP, reconstrói a trajetória das mulheres no futebol. Desde os primeiros tempos no século 19
A bola está com elas
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A bola está com elas

Por Inês Castilho / OUTRASPALAVRAS

Exposição, em SP, reconstrói a trajetória das mulheres no futebol. Desde os primeiros tempos no século 19, passando por sua proibição até 1979 e pela popularização de hoje, história é marcada por apagamento e desigualdade de direitos

Um decreto assinado por Getúlio Vargas em 1941 proibiu as mulheres brasileiras de jogar futebol. O impedimento caiu depois de muita luta, durante a segunda onda do feminismo – foi liberado em 1979 e regulamentado em 1983. A exposição do Museu do Futebol Contra Ataque! As Mulheres do Futebol convida a população a refletir sobre o apagamento do futebol feminino e à desigualdade de direitos no esporte.

“No jogo de futebol, um contra-ataque ocorre quando um dos times recupera a posse da bola e avança rapidamente em direção ao gol, sem deixar espaço para a armação da defesa do time adversário. Essa jogada extremamente emocionante é a metáfora escolhida para narrar a trajetória da modalidade, proibida por decreto-lei no Brasil por décadas”, diz no site do Museu a equipe criadora da exposição.

Um pebolim com bonecas ao invés de bonecos. Vídeos, fotos, textos e objetos pessoais das atletas. A história de mulheres que tiveram que lutar para praticar o esporte. A exposição monta um panorama dessa manifestação cultural desde os primeiros tempos do esporte inglês no Brasil, no final do século 19 – quando as mulheres já estavam presentes – até os dias atuais. A conquista de direitos das jogadoras corre em paralelo à história do feminismo e da luta das mulheres pela conquista de direitos no país.

“Em pleno ano de Copa do Mundo, queremos falar sobre as atletas que não se deixaram calar durante as décadas em que a prática foi proibida para as mulheres. Queremos dar voz a quem está em campo, lutando por visibilidade. E queremos abrir espaço para celebrar o talento e as vitórias delas”, informam as criadoras da exposição.

Para ajudar na recuperação dessa história, o Museu do Futebol pede ajuda. “Envie fotos, documentos ou relatos desse período do futebol feminino para inspirar novas gerações”, convida.

Intervenção

Em 2015, marcando o inicio da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Canadá, o Museu do Futebol marcou um gol importante para o movimento das mulheres brasileiras. Inaugurou um acervo dedicado exclusivamente à história do futebol feminino no Brasil e incorporou-o à sua exposição permanente. Desde sua inauguração, em 2008, o Museu nunca havia mencionado sua existência.

Aproximando o futebol do slogan argentino contra a violência às mulheres, Ni una menos!, a equipe responsável pela exposição exclama: “Do campinho ao estádio, da arbitragem à arquibancada, do sofá ao bar, da torcida organizada ao programa de TV, não podemos ser nenhuma a menos”. Nada mais preciso, uma vez que o futebol feminino sofreu — e sofre — vários tipos de violência.

Esta é uma partida decisiva para ajudar a empatar o jogo nos estádios, nas arquibancadas e nos bastidores da bola, dizem elas no site, lembrando que depois de 40 anos de proibição, conseguir que as mulheres pudessem jogar exigiu sangue, suor e lágrimas. “Foram muitos ataques sofridos até conseguir armar o contra-ataque. E mesmo que muito já tenha sido percorrido, ainda tem muito campo pela frente.”

A exposição teve na curadoria um time de campeãs: Aline Pellegrino, capitã da seleção brasileira de futebol feminino entre 2004 e 2013, coordenadora da modalidade na Federação Paulista de Futebol; Aira Bonfim, pesquisadora da participação feminina no esporte antes da proibição; Luciane Castro, uma das primeiras jornalistas a cobrir jogos e campeonatos femininos; e Silvana Goellner, professora que coordena o Centro de Memória do Esporte da UFRGS.

 

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Cataratas do Iguaçu do Brasil e da Argentina

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Exposição, em SP, reconstrói a trajetória das mulheres no futebol. Desde os primeiros tempos no século 19, passando por sua proibição até 1979 e pela popularização de hoje, história é marcada por apagamento e desigualdade de direitos

Um decreto assinado por Getúlio Vargas em 1941 proibiu as mulheres brasileiras de jogar futebol. O impedimento caiu depois de muita luta, durante a segunda onda do feminismo – foi liberado em 1979 e regulamentado em 1983. A exposição do Museu do Futebol Contra Ataque! As Mulheres do Futebol convida a população a refletir sobre o apagamento do futebol feminino e à desigualdade de direitos no esporte.

“No jogo de futebol, um contra-ataque ocorre quando um dos times recupera a posse da bola e avança rapidamente em direção ao gol, sem deixar espaço para a armação da defesa do time adversário. Essa jogada extremamente emocionante é a metáfora escolhida para narrar a trajetória da modalidade, proibida por decreto-lei no Brasil por décadas”, diz no site do Museu a equipe criadora da exposição.

Um pebolim com bonecas ao invés de bonecos. Vídeos, fotos, textos e objetos pessoais das atletas. A história de mulheres que tiveram que lutar para praticar o esporte. A exposição monta um panorama dessa manifestação cultural desde os primeiros tempos do esporte inglês no Brasil, no final do século 19 – quando as mulheres já estavam presentes – até os dias atuais. A conquista de direitos das jogadoras corre em paralelo à história do feminismo e da luta das mulheres pela conquista de direitos no país.

“Em pleno ano de Copa do Mundo, queremos falar sobre as atletas que não se deixaram calar durante as décadas em que a prática foi proibida para as mulheres. Queremos dar voz a quem está em campo, lutando por visibilidade. E queremos abrir espaço para celebrar o talento e as vitórias delas”, informam as criadoras da exposição.

Para ajudar na recuperação dessa história, o Museu do Futebol pede ajuda. “Envie fotos, documentos ou relatos desse período do futebol feminino para inspirar novas gerações”, convida.

Intervenção

Em 2015, marcando o inicio da Copa do Mundo de Futebol Feminino no Canadá, o Museu do Futebol marcou um gol importante para o movimento das mulheres brasileiras. Inaugurou um acervo dedicado exclusivamente à história do futebol feminino no Brasil e incorporou-o à sua exposição permanente. Desde sua inauguração, em 2008, o Museu nunca havia mencionado sua existência.

Aproximando o futebol do slogan argentino contra a violência às mulheres, Ni una menos!, a equipe responsável pela exposição exclama: “Do campinho ao estádio, da arbitragem à arquibancada, do sofá ao bar, da torcida organizada ao programa de TV, não podemos ser nenhuma a menos”. Nada mais preciso, uma vez que o futebol feminino sofreu — e sofre — vários tipos de violência.

Esta é uma partida decisiva para ajudar a empatar o jogo nos estádios, nas arquibancadas e nos bastidores da bola, dizem elas no site, lembrando que depois de 40 anos de proibição, conseguir que as mulheres pudessem jogar exigiu sangue, suor e lágrimas. “Foram muitos ataques sofridos até conseguir armar o contra-ataque. E mesmo que muito já tenha sido percorrido, ainda tem muito campo pela frente.”

A exposição teve na curadoria um time de campeãs: Aline Pellegrino, capitã da seleção brasileira de futebol feminino entre 2004 e 2013, coordenadora da modalidade na Federação Paulista de Futebol; Aira Bonfim, pesquisadora da participação feminina no esporte antes da proibição; Luciane Castro, uma das primeiras jornalistas a cobrir jogos e campeonatos femininos; e Silvana Goellner, professora que coordena o Centro de Memória do Esporte da UFRGS.

 

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