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118 agrotóxicos novos liberados na pandemia: Bolsonaro decreta aprovação como “essencial”

O governo Bolsonaro já liberou 118 novos agrotóxicos para uso durante a pandemia, sendo 84 para agricultores e 34 para a indústria
118 agrotóxicos novos liberados na pandemia: Bolsonaro decreta aprovação como “essencial”
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118 agrotóxicos novos liberados na pandemia: Bolsonaro decreta aprovação como “essencial”

O governo Bolsonaro já liberou 118 novos agrotóxicos para uso durante a pandemia, sendo 84 para agricultores e 34 para a indústria. Atender o agronegócio e as produtoras é uma prioridade do governo, que decretou como “serviço essencial”.

Desde março, as empresas produtoras de pesticidas já solicitaram liberação de 216 produtos, que se encontram em fase de avaliação, ao Ministério da Agricultura. Os 118 produtos liberados durante esses dois meses superam o mesmo período do ano de 2019, durante o qual foram 80 novos agrotóxicos liberados para comercialização e uso.

Um recorde que o governo Bolsonaro quer ostentar é o de ser o que mais liberou o uso de veneno nas comidas: em 2019 já foi o recordista, com 475 liberações, e, até agora, foram 150 em 2020. Esse é um serviço que o governo não quer interromper de jeito nenhum, e por isso, já em março decretou como essenciais todas as atividades ligadas à produção e aplicação de agrotóxicos – hoje rebatizados oficialmente com o eufemismo “defensivos agrícolas” para tentar ocultar a verdade sobre sua nocividade à saúde humana.

O Brasil vem se tornando cada vez mais conhecido por liberar agrotóxicos que estão sendo banidos em todo o mundo. Uma das substâncias recentemente liberadas é o Fipronil, relacionado à morte de 500 milhões de abelhas e causador de impacto ambiental de imensas proporções, tendo sido proibido na União Europeia e em fase de reavaliação nos EUA. Outros, como o Clorpirifós, está relacionado à má formação dos cérebros de bebês e já foi banido em ambas regiões. Já o Clorotalonil afeta o DNA humano – levando ao desenvolvimento de câncer – e causa danos para anfíbios, peixes e abelhas.

E o objetivo do governo Bolsonaro não é apenas o de liberar – com ou sem pandemia – o uso indiscriminado de substâncias comprovadamente venenosas. Ele também quer garantir que nosso conhecimento a respeito do envenenamento a que ele, a indústria pesticida e o agronegócio estão submetendo nosso corpo seja cada vez mais restrito. Para isso, efetuou uma alteração no Marco Regulatório da Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) que se refere ao alerta por toxicidade. A partir disso, a toxicidade máxima é conferida apenas aos produtos que causam a morte pelo contato horas depois da exposição. Ou seja, morrer lentamente está ótimo para o presidente. Com a mudança, feita em julho de 2019, a classificação de produtos altamente tóxicos feita pela agência se restringiu a seis produtos. No ano anterior era de 162, o equivalente a 32% dos produtos regulamentados.

Dados como esses mostram que, ainda que na pandemia isso tenha se escancarado muito mais, não é nada nova a política de Bolsonaro de literalmente matar milhões para poder garantir o lucro de capitalistas aliados a ele. A liberação desses produtos não é nada mais do que permitir que o agronegócio envenene a população e gere inúmeras doenças e mortes. Para isso, o governo continua trabalhando incansavelmente.


Por Fernando Pardal

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O governo Bolsonaro já liberou 118 novos agrotóxicos para uso durante a pandemia, sendo 84 para agricultores e 34 para a indústria. Atender o agronegócio e as produtoras é uma prioridade do governo, que decretou como “serviço essencial”.

Desde março, as empresas produtoras de pesticidas já solicitaram liberação de 216 produtos, que se encontram em fase de avaliação, ao Ministério da Agricultura. Os 118 produtos liberados durante esses dois meses superam o mesmo período do ano de 2019, durante o qual foram 80 novos agrotóxicos liberados para comercialização e uso.

Um recorde que o governo Bolsonaro quer ostentar é o de ser o que mais liberou o uso de veneno nas comidas: em 2019 já foi o recordista, com 475 liberações, e, até agora, foram 150 em 2020. Esse é um serviço que o governo não quer interromper de jeito nenhum, e por isso, já em março decretou como essenciais todas as atividades ligadas à produção e aplicação de agrotóxicos – hoje rebatizados oficialmente com o eufemismo “defensivos agrícolas” para tentar ocultar a verdade sobre sua nocividade à saúde humana.

O Brasil vem se tornando cada vez mais conhecido por liberar agrotóxicos que estão sendo banidos em todo o mundo. Uma das substâncias recentemente liberadas é o Fipronil, relacionado à morte de 500 milhões de abelhas e causador de impacto ambiental de imensas proporções, tendo sido proibido na União Europeia e em fase de reavaliação nos EUA. Outros, como o Clorpirifós, está relacionado à má formação dos cérebros de bebês e já foi banido em ambas regiões. Já o Clorotalonil afeta o DNA humano – levando ao desenvolvimento de câncer – e causa danos para anfíbios, peixes e abelhas.

E o objetivo do governo Bolsonaro não é apenas o de liberar – com ou sem pandemia – o uso indiscriminado de substâncias comprovadamente venenosas. Ele também quer garantir que nosso conhecimento a respeito do envenenamento a que ele, a indústria pesticida e o agronegócio estão submetendo nosso corpo seja cada vez mais restrito. Para isso, efetuou uma alteração no Marco Regulatório da Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) que se refere ao alerta por toxicidade. A partir disso, a toxicidade máxima é conferida apenas aos produtos que causam a morte pelo contato horas depois da exposição. Ou seja, morrer lentamente está ótimo para o presidente. Com a mudança, feita em julho de 2019, a classificação de produtos altamente tóxicos feita pela agência se restringiu a seis produtos. No ano anterior era de 162, o equivalente a 32% dos produtos regulamentados.

Dados como esses mostram que, ainda que na pandemia isso tenha se escancarado muito mais, não é nada nova a política de Bolsonaro de literalmente matar milhões para poder garantir o lucro de capitalistas aliados a ele. A liberação desses produtos não é nada mais do que permitir que o agronegócio envenene a população e gere inúmeras doenças e mortes. Para isso, o governo continua trabalhando incansavelmente.


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