//2018, o ano de ouvir a voz das MARIAS

2018, o ano de ouvir a voz das MARIAS

Por Roberto Andrade

As vozes das mulheres ecoam forte no cenário político de 2018, as vozes das Marias, a Maria brasileira e a Maria mexicana, a Maria negra e a Maria indígena, ambas guerreiras e de origem humilde. Essas mulheres virão para mudar a história da política, para quebrar todo o preconceito, todo o machismo. Chegou o momento de ouvi-las, chegou o momento de dar espaço para que elas contribuam para a história. Há quem diga que o momento é de testosterona, mas diante do que estamos acompanhando na política mundial, onde a cada segundo um conflito nuclear se aproxima, é mais que necessário a sabedoria, a inteligência e a sensibilidade das mulheres, é necessário a sua capacidade e sua forma de lidar com os problemas.

Maria Osmarina Marina Silva é a Maria brasileira, mais conhecida como Marina Silva, a jovem seringueira que saiu do seio das florestas do Acre. A Maria brasileira teve uma vida difícil, foi seringueira e empregada doméstica, enfrentou diversos problemas de saúde, mas isso não a impediu de ser quem é, e aos 16 anos de idade aprendeu a ler e a escrever, ela é filha das selvas e defensora das causas ambientais. Nossa Maria já foi vereadora, deputada, senadora e ministra do meio ambiente, ela é mais um exemplo das tantas Marias brasileiras, Marias guerreiras, trabalhadoras e batalhadoras que venceram mesmo em meio a tantas dificuldades. O Brasil mais do que nunca precisa estar atento ao que ela tem para falar, o Brasil precisa da capacidade, da sabedoria e da inteligência de sua Maria, principalmente em meio a crise ética e moral a qual vem atravessando.

A Maria mexicana é Maria de Jesús Patricio, também conhecida como “Marichuy”, é a porta-voz do CIG (Conselho Indígena de Governo), e também aquela que colocou abaixo o machismo do EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) quando foi a primeira liderança feminina a ter apoio de sua parte. Marichuy, a Maria mexicana tem sangue do povo nahua nas veias, é uma médica tradicional e fitoterapeuta, e possui muito reconhecimento por seu trabalho em defesa dos povos indígenas. Além do mais, a Maria mexicana é a primeira mulher de origem indigena que aspira à presidência do México. Talvez essa Maria não vença as eleições, e será provável que não, mas mesmo assim já   é a grande vitoriosa, já venceu o machismo e o preconceito, já deu sua importante contribuição para a história, a história do México, a história das lutas das mulheres e dos povos indígenas.

Duas Marias, Marias que travam diariamente batalhas contra o preconceito e o machismo, Marias que buscam seu espaço na política, Marias que têm muito para contribuir para suas nações, Marias que têm muito para oferecer à sociedade, à política e à história.